Domingo, 07.02.16

A LAMPREIA JÁ CHEGOU

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É um bicho feio como o diabo. Tem a pele escorregadia e a boca abre-se medonha, rodeada de dentes, para sugar o sangue das presas que o tenham frio. Animal extremamente primitivo, macho e fêmea morrem logo após a rerodução. É uma espécie de vampiro do mares que nos enche de terror. E o prato de sabor, para quem ultrapassa todos esses arrepios de pele. Por isso, ou se ama ou se adora aquela textura firme e o sabor quase a carne da lampreia, que a tornou uma favorita na época dos jejuns abstémios católicos. 

É um dos poucos produtos rigorosamente sazonais, o que a torna ainda mais apetecível. Por outro lado, não é um prato fácil de se fazer em casa, porque é preciso saber arranjá-la, começando por retirar o muco que lhe recobre o corpo, primeiro com água a ferver, depois esfregando-a com uma saco de rede e raspando-a com a faca. Em seguinda, dependura-se, faça-lhe um orfício em local proprio e deixa-se escorrer o sangue, que se aproveita. depois, abre-se e retiram-se-lhe as vísceras e a célebre tripa, que lhe dá mau gosto. Só arranjei lampreia uma única vez e foi quando frequentava a Escola de Hotelaria do Estoril, e não tenho nenhuma vontade de repetir. Por isso, só a como em restaurantes bem escolhidos. Um deles é o Beira Mar, onde fiz a estreia anual com um arroz de lampreia. Mas há muitas outras maneiras de a comer, como podem ver aqui no blog: 

http://conversasamesa.blogs.sapo.pt/estreia-da-lampreia-76854?view=83510#t83510. A acompanhar um espumante tinto.

A todos os que gostam de lampreia, desejo uma época feliz. Aos outros, o meu pesar.

 

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Domingo, 31.01.16

O FUMEIRO DE VINHAIS SEGUNDO VÍTOR MATOS

28-1086Barriga Fumada com feijocas©PhotoMárioCer

Na Sexta feira, dia 29, a ANCSUB (Associação nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara) e o Município de Vinhais, convidaram os media e personalidades para a divugação de mais uma Feira do Fumeiro de Vinhais. Não só por pertencer à Confraria do Porco Bísaro e do Fumeiro de Vinhais, mas também por gostar muito do modo como a Eng. Carla Alves (ANCSUB) organiza o evento, e sobretudo pela oportunidade de provar e abastecer de enchidos e presuntos costumo ir todos os anos a esta feira. 

Hoje deixo-vos aqui os pratos do almoço «Vinhais na sua essência...a minha versão», por Vítor Matos, que chefia o lindíssimo Antiquum, debruçado sobre o Douro. Vítor Matos conseguiu tirar o máximo partido de todos o fumeiro, combinando-o com produtos regionais da época, sem nunca cansar. Apesar de todos os pratos serem genuinamente tradicionais, o ar que respiramos é contemporâneo, mas não só na parte de apresentação.   Foi um sucesso que teve o condão de agradar aos mais conservadores e aos menos, ou seja, um verdadeiro milagre de Vítor Matos. 

 

As fantásticas fotos em vários fundos de pedra são do Mário Cerdeira. 

 

 

 

 

13-1086Trufas Alheira Vinhais©PhotoMárioCerdeira

 Trufas de Alheira de Vinhais IGP

 

 

 

14-1086BaguetePresunto Sanduiche LeitãoBisaro©Ph

Baguete de presunto de Vinhais IGP e Queijo Terrincho

Sanduíche de leitão bísaro com pimenta preta, alho fermentado e torresmos

 

 

 

 

18-1086Ervilhas com Toucinho©PhotoMárioCerdeira.

 

Ervilhas com toucinho gordo de porco bísaro, azeite transmontano, tártarto de camarão, e tomate seco caseiro 

 

 

 

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Alheira de Vinhais IGP, creme de grelos, ovo a 62ºC, cogumelos de Trás-os-Montes, batata

 

 

 

 

 

 

23-1086Bacalhau com Presunto©PhotoMárioCerdeira.

 

Bacalhau com presunto de Vinhais IGP, línguas, pimentos assados, pimentão fumado e coentros 

 

 

 

28-1086Barriga Fumada com feijocas©PhotoMárioCer

 

Barriga de porco bísaro fumada com feijocas, chouriça de sangue, linguiça de Vinhais IGP e Salpicão de Vinhais IGP 

 

 

 

38-1086Cuscos Artesanais Vinhais©PhotoMárioCerde

 

Cuscos artesanais de Vinhais, bochecha de porco bísaro em vinha d'alhos, chouriço de carne de Vinhais IGP, favas

 

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Terra Transmontana: requeijão, pudim de presunto, castanha, terra de chocolate e chouriça de sangue doce de Vinhais, tangerina e moscatel  

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 30.01.16

FEIRA DO FUMEIRO DE VINHAIS 2016

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A não perder, a feira do fumeiro de Vinhais. Para se abastecer de bons enchidos e conhecer os produtores e os produtos da terra. 

 

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Quarta-feira, 27.01.16

UM ESTÓRIA ELEGANTE

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É difícil na filosofia e na vida conseguir o casamento da força e vitalidade de Dionísio com da leveza e elegância apolíneas, mas é uma grande vitória para quem o alcança. Vítor Areias consegue fazê-lo na cozinha ao retirar o peso excessivo de certos pratos da cozinha portuguesa, sem que estes percam a identidade e a força vital, sendo o resultado sempre muito elegante.

Estas são características que sempre me atraíram no trabalho do Vítor Areias e que agora, no Estória, são ainda mais visíveis. É um restaurante onde eu voltaria amiúde.

 

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Mas vamos então ao princípio do Estória, que remonta a Outubro de 2015. Vítor Areias é o único proprietário deste lindíssimo espaço localizado num antigo palácio do Marquês de Pomba que aqui se instalava para vistoriar as suas propriedades agrícolas e onde, quando em viagem de Oeiras para Lisboa, procedia à troca de montadas e repousava dos incómodos dos coches. Na foto seguinte, uma estatueta do Marquês a apadrinhar o Estória.

 

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O espaço é lindo e com boa dimensão. As enormes portas em casquinha e os painéis de azulejos antigos são elementos de grande valor decorativo. Aqui já existiu um restaurante que teve muita fama à custa de um dos dois mais incómodos pratos da restauração, a fondue de carne frita em óleo (sendo o segundo o abominável bife na pedra).

 

 

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Na cozinha, está uma pequena e muito jovem equipa. Vítor desdobra-se entre a cozinha e a mesa. «O que fazemos aqui é uma cozinha sazonal sem fundamentalismos, mas com uma lógica de valorização do sabor» explicou ele no fim da refeição. Pelo preço médio de 25 euros, o Estória fornece um jantar com muito sabor e com muita elegância. Vamos aos exemplos.

 

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Para começar, o couvert. O pão de fatia, delicioso e feito no restaurante, acompanha com uma boa manteiga, uma pasta de tremoço e uma de grão. Para entrada, escolhi um prato de bacalhau, um pil pil, que infelizmente não consta das nossas 1001 formas de o cozinhar e que, tal como a brandade francesa, aproveita a melhor parte deste peixe, o colagénio. O mais parecido que temos é o Bacalhau à Conde da Guarda, que terá sido uma criação de Mestre João Ribeiro (embora não conste do seu manuscrito, mas sim de A Cozinha Ideal, do seu antecessor no Aviz, Manuel Ferreira). Vítor Areias enriquece-lhe o sabor com um fio de mel e alfazema. As lascas do bacalhau deixam-se abraçar por toda a cremosidade do colagénio batido com azeite e o mel, como se estivéssemos a fazer uma maionese, e o resultado é perfeito. É um prato imperdível no Estória.

 

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Segue-se-lhe um uma coxinha de pato-mudo de Sintra com uma capa de fina, mas assertiva, massa de sêmola de milho que encerra a carne desfiada e vai a fritar. Acompanha com uma salada de pepino e alcagoitas e um refrescante e atrevido piso de malagueta e coentros. Os amendoins e o ligeiro picante da malagueta servem de picos de sabor e de texturas e dão originalidade a este prato.

 

 

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Encerro o conjunto salgado com um prato de conforto, mas elegante, representante da tal dualidade Dionísio-Apolo: rabo de boi estufado e desfiado enrolado em folhas de couve lombarda apenas escalfadas, servido com caldo e cogumelos.

 

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Para terminar a refeição, uma combinação imbatível: maracujá e chocolate: o curd de maracujá feito com as sementes emparceira com um creme de chocolate, um pouco mais denso do que uma mousse.

 

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E assim encerrou um almoço de Sábado cheio de sabor e tradição, mas que não são da avó, são mesmo é do Vítor Areias. Foi uma refeição de que muito gostei, equilibrada de nutrientes, esteticamente cuidada, num espaço muito agradável e com um serviço profissional e simpático. O preço dos pratos anda entre os 13 e os 15 euros, o das entradas e sobremesas, à volta de 6. Um bom valor é o do menu de degustação de 5 pratos por 37 euros.

 

Aqui fica o link para a refeição que fiz no Assinatura sob a chefia do Vítor Areias.

http://conversasamesa.blogs.sapo.pt/a-matriz-portuguesa-no-assinatura-68549

 

 

 

Aberto ao jantar de terça a Sábado, a partir das sete e meia. Ao Sábado, aberto também ao almoço, a partir das 12 h 30.

Telefone: 211304406

www.estoriarestaurante.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 22.01.16

O ARROZ DE LIMÃO, ROBALO E AMÊIJOAS DA NOÉLIA

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Diverti-me imenso ontem num curso de cozinha da Academia Time Out com a Noélia, do restaurante de Cabanas de Tavira com o mesmo nome.

A Academia fica situada no Mercado da Ribeiro, numa das pontas do food court e é um espaço muito bem planeado para os cursos, que têm uma característica já muito rara: os participantes põem mesmo a mão na massa e são eles que cozinham a maior parte da refeição. Durante o curso, há sempre um copo de vinho e unas comidinhas para ir petiscando.

 

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Os petiscos: muxama com pão algarvio cozido em forno de lenha com estevas

 

 

 

 

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Mais petiscos: biqueirão com tomate e azeite

 

 

 

O Rodrigo acompanha os cursos e contribui com vários conselhos técnicos muito oportunos. A Academia está muito bem dirigida pelo Rodrigo Menezes, que trouxe ideias interessantes, como as festas de anos das crianças, em que todos os amiguinhos participam na confecção de sumos e bolachas, e de adultos, onde depois de todos os convidados cozinharem os pratos de uma ementa escolhida entre três, a confraternização prossegue ao jantar, em redor das bancadas da cozinha.

Hoje deixo-vos aqui a receita de um prato que como sempre que vou à Noélia: o arroz de limão com peixe e amêijoas. Claro que não sabe ao mesmo do que quando é feito pela mão desta grande cozinheira e comido ali com a brisa da ria. Mas é uma receita muito boa e fácil de fazer. Ora aqui vai.

 

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Arroz de limão com robalo e amêijoas

 

Para 2 pessoas

O peixe usado pode ser qualquer um peixe branco: robalo, garoupa, etc. Peça na peixaria que lhe arranjem o peixe e guarde a cabeça e as espinhas para o caldo. Comece por fazer o caldo, com alguns legumes (uma cebola, uma cenoura, um talo de aipo), o peixe e umas rodelas de gengibre fresco. Se não tiver o caldo, pode usar água, mas não é a mesma coisa...

 

0,5 dl de azeite

1 cebola pequena, finamente picada

1 dente de alho, descascado e finamente picado

2 raspas muito finas de casca de limão, sem a parte branca

1 chávena de arroz carolino

3 chávenas de caldo, bem coado

sementes de duas vagens de cardamomo

1 chávena bem cheia de amêijoas boas (legítimas)

250 g de peixe branco, sem as espinhas e cortados em pedaços

1 mão-cheia de coentros picados

 

  1. Num tacho, comece por aquecer bem o azeite. Junte a cebola picada e deixe amaciar durante cerca de 3 minutos em lume médio. Adicione o alho picado e suba um pouco a força do lume. Mexa de vez em quando e não deixe ganhar cor.
  2. Quando a cebola estiver macia, junte o arroz e mexa, deixando-o fritar. Quando os grãos estiverem bem envolvidos na gordura e o arroz começar a amaciar, junte o sumo de limão. Quando levantar novamente fervura, adicione o caldo bem quente e as raspas de limão. Mexa e deixe levantar fervura.
  3. Reduza o lume e deixe ferver, mexendo de vez em quando para abrir o arroz, até este ficar quase cozido, mas ainda com o centro duro. Adicione as sementes de cardamomo.
  4. Junte as amêijoas e mexa.
  5. Quando o arroz estiver quase cozido, mas ainda com bastante líquido, junte o peixe e afunde-o com cuidado no líquido.
  6. Desligue o lume, assim que o peixe estiver cozido e junte os coentros picados. Sirva de imediato.

 

 

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Para terminar em beleza, uma magnífica tarte de alfarroba com chila e amêndoa e uma guarnição de Dom Rodrigo, trazida do retaurante pela Noélia. Foi a melhor que já comi, pela presença das duas texturas da amêndoa e da chila.

 

 

 

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Terça-feira, 19.01.16

A CONFUSÃO NO LISBOA À PROVA

lisboa a prova

 

 

Ontem fui assistir à entrega de prémios do concurso Lisboa à Prova, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, e saí muito confusa, mesmo muito. Um júri, cujos elementos são altamente secretos (segundo afirmou o Presidente da Câmara nem ele pode saber) premiou 126 restaurantes, «avaliados pela sua cozinha, pelo serviço, pelo ambiente e pela relação qualidade/preço, num total de cerca de 700 provas anónimas, realizadas entre Junho e Novembro de 2015.»

Ainda segundo o Gabinete de comunicação do concurso o seu objectivo é «Valorizar o sector da restauração; Promover a Gastronomia lisboeta enquanto factor de atracção turística da Cidade; Estimular o sector da restauração para um constante aumento da qualidade dos serviços prestados.»

Este objectivo veio bater certo com o discurso do PC, que bateu, e muito bem, sempre na mesma tecla: autenticidade. Disse ele ainda que tem crescido muito a importância do turismo na cidade de Lisboa, tendo praticamente reduzido a utilidade da restauração ao serviço dos turistas. Para bem servir o turista é fundamental que a restauração e até a própria cidade sejam, e cito, «únicos e distintivos». Todo o discurso do PC foi em torno da mais importante característica da restauração em termos de turismo: autenticidade. Porém, à medida que se ia desenrolando a entrega dos prémios, assistida por Mário Pereira, presidente da AHRESP, iam sendo premiados cada vez mais pizzarias, restaurates de sushi, de comida russa, indiana, espanhola, nepalesa, brasileira, chinesa, francesa e até dois restaurantes franceses de cadeia, aqueles de prato único (duas Brasseries de l’Entrecôte). Só se esqueceram de premiar um ou dois McDonalds.

Fiquei cada vez mais confusa, pensei na autenticidade tão falada pelo presidente da Câmara e interroguei-me sobre onde é que o verdadeiro objectivo do concurso tinha falhado. Mas que os resultados não dizem com o discurso do PC, ah isso é inconstestável. E cá para mim, o discurso do PC está certo: é preciso promover a gastronomia lisboeta naquilo que tem de único. E há tanta coisa para promover na restauração que defende a gastronomia autêntica de Lisboa!

 

 

 

Aqui fica o documento enviado pelo Lisboa à Prova com os vencedores da categoria 1 Garfo de ontem. Para os ajudar, sublinhei a amarelo todos os restaurantes que declaradamente não fazem cozinha portuguesa ou de Lisboa. O que não quer dizer que os outros façam…

 

 

O número de premiados com 1 garfo subiu: 90 restaurantes obtiveram o prémio de “1 Garfo”. Por sua vez, 29 restaurantes alcançaram o prémio de “2 Garfos” e 7 restaurantes ganharam o galardão máximo de “3 Garfos”. Pela primeira vez este ano, o restaurante Lapa, do Hotel Olissipo Lapa Palace alcança o prémio máximo de 3 Garfos.

Os 90 restaurantes que obtiveram 1 “Garfo” foram:

151 One Five One; 2 à Esquina, Iguarias e Petiscos; 5 Oceanos; A Casa do Bacalhau; A Fábrica de Santiago; A Tapadinha, Cozinha Russa; A Tasca do Tio Candinho; A Travessa do Fado; Adega da Tia Matilde; Adega Machado; Apicius; Aromas e Temperos; Aura Lounge Café; Bastardo; Bellalisa Elevador; Bistro Edelweiss; Blend; Brasserie de L’Entrecôte – Chiado; Brasserie de L’Entrecôte – Parque das Nações; Café Lisboa; Cantina da Estrela; Carmo; Cervejaria Portugália – Belém; Chefe Cordeiro; Coffee Shop Rendez Vous; De Castro Elias; Delícias de Goa; Dinastia Tang; Este Oeste; Everest Montanha – Avenida do Brasil; Faz Figura; Fumeiro de Santa Catarina; Grei; Grelhados de Alcântara; Gustus e Sushi Alentejano; In Bocca al Lupo; Jockey; Kampai; La Paparrucha; Le Moustache; Lost In Esplanada Bar; Madragoa Café; Maria Catita; Marisqueira D’Pescador; Mercearia de L Praino; Meson Andaluz; Mô Petiscaria; Moules & Beer; My Story Rossio; Nogueira´s Fire Food; O Guarda-Mor; O Mercado; O Polícia; Oficina do Duque; Oito Dezoito; Open Brassserie Mediterrânica; Páteo Velho – Ordem dos Médicos; Pimenta Rosa; Pizzaria Lisboa; Pizzaria Luzzo; Restaurante Bordalo Pinheiro – Radisson Blu Hotel; Restaurante Carnalentejana; Restaurante D’Bacalhau; Sacramento do Chiado; Sagrada Família; Salsa Rosa Bistro; Sem Dúvida; Senhor Peixe; Servejaria; Solar dos Leitões; Solar dos Nunes; Sushi Café Amoreiras; Sushi Café Avenida; Tapa Bucho; Tasca Urso; Tentações de Goa; Tertúlia do Paço; The Decadente; The George; The Insólito; The Old House; Trivial; Tsubaki; U Chiado; Uai!; Varanda de Lisboa; Very Important Picanha; Vicente by Carnalentejana; Wasabi Sushi Bar; Zambeze.

 

 

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Domingo, 17.01.16

BONS AROMAS DO MARESIAS

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Não há muitos restaurantes que reúnam condições como o Maresias. Então na zona da linha do Estoril, ainda menos. E passo a enumerar.

Em primeiro lugar, aquilo que continua a ser para mim, mais importante num restaurante, a boa comida, embora eu saiba que não é assim para toda a gente. Há restaurantes que estão cheios à conta do social, onde se vai para ver e ser visto, por exemplo, e onde a qualidade da comida conta pouco.

Aberto há alguns meses pela mão de um chef muito experiente, José Bengaló, o Maresias tem uma carta variada de pratos à base de produtos do mar, mas não só, o lado das carnes também está bem composto. Há sempre uma proposta diária de um peixe, com confecções naturais. As propostas da carta apetecem todas elas. Não sendo totalmente convencionais, são sempre tranquilizadoras. Entre os pratos que experimentei num almoço familiar que agradou a duas gerações, saliento a Asa de raia cozida no vapor sobre milho de tomate e manjericão, couve-flor, muito mediterrânica e cheia de sabor e o Lombo de robalo com migas de brócolos, palha de alho-francês e vinagreta. Comemos ainda o Lombinho de bacalhau com molho de sapateira, cama de espinafres e puré de alho-francês, o prato de que menos gostei por duas razões: ingredientes a mais a acompanhá-lo e textura um pouco fibrosa.

 

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O bacalhau com molho de sapateira

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O robalo com palha de alho-francês 

 

As doses dos pratos principais, cujo preço anda entre os 14 e os 17 em média, são extremamente generosas, dando perfeitamente para duas pessoas comerem duas entradas e dividirem um prato principal. É raro ver doses tão compostas nos restaurantes de serviço empratado.

Em segundo lugar, o Maresias tem uma flexibilidade pouco comum na nossa restauração. Podemos usá-lo como restaurante, mas também para petiscar. As pataniscas de polvo com maionese de coentros que comemos como entrada podem fazer parte de uma refeição de petiscos. Estavam muito bem, com a altura ideal e muito bem fritas. As doses das entradas e dos petiscos são fartas, pelo que servem perfeitamente para dividir por vários. Outro prato óptimo para acabar uma destas refeições é o prego de atum e cebola confitada em verdelho. Para sobremesa, não deixe de experimentar a Tarte de limão merengada.

 

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Toda esta quantidade de pataniscas por 4,80 euros

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 O prego de atum é duplo

 

Em terceiro lugar, last and not least, a localização. É um dos poucos restaurantes do lado do mar da Marginal com qualidade. A vista do mar é mais que vista, é envolvência total. E com uma vantagem rara: mesmo ao jantar, o mar marca presença.

Três boas razões para ir ao Maresias. E não podia terminar sem uma referência à simpatia do serviço e à agradável e confortável decoração. O Maresias é realmente um restaurante fora da caixa, por boas razões.

 

 

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Segunda-feira, 11.01.16

OS FRIGORÍFICOS NO DIVÃ

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Uma das formas de compreender uma sociedade é através do frigorífico. este electromdoméstico vulgarizou-se após a Segunda Guerra, pelo que este Kelvinator ainda seria uma novidade. Muitos laticínios e iogurtes em pote de vidro, champanhe e Cinzano, um pichet, provavelmente de vinho branco, um pastelão de massa folhada, uma vazia de vitela ou novilho (pelo tamanho), um frango, muita fruta e legumes frescos. Et Voilà.

 

A fotografia é do livro L'Art Culinaire Français, de 1950, que conta com a participação de vários chefs, nomeadamente Escoffier.

 

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Domingo, 10.01.16

FRESCURA em A CEVICHERIA

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Andava a adiar a minha ida à Cevicheria porque sabia que era difícil arranjar lugar e não fazem reservas, dada a pequena dimensão do restaurante. E se há coisa que detesto, é esperar na fila para comer. Mas a semana que passou, tendo feito um almoço muito ligeiro, estava capaz de jantar cedo e cheguei à porta do restaurante às 19 h30. Até tive a sorte de arrumar o carro à primeira passagem nos laterais do jardim do Príncipe Real. À porta do restaurante já havia fila, mas a sorte bafejou-me: a maioria dos que esperavam eram grupos de 4 ou mais pessoas e eu queria uma humilde mesa para dois. E lá avancei quase de imediato para a dita.

A Cevicheria e o Talho são os dois restaurantes do Kiko, uma espécie de namorado da nossa cozinha de quem toda a gente gosta. O Kiko é extremamente mediático (é fantástico em televisão), e tornou-se conhecido de toda a gente em menos de um fósforo. Põe a cabeça e o coração em todos os projetos que faz. Tanto O Talho, o seu primeiro restaurante, como A Cevicheria, destinam-se ao «grande» público (não em termos de capacidade económica, mas de interesse na cozinha). A sua criatividade está no todo dos seus projectos, e não apenas na cozinha, e tem sido recompensada, não só pelas pessoas que fazem fila à porta da Cevicheria ou que enchem o Talho, mas também por todos os media da especialidade. Carry on Kiko. (Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, eu desconfio que Kiko é um pseudónimo de duas pessoas, o Francisco e a Maria).

 

 

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De volta à Cevicheria. O restaurante tem um espaço interessante. Achei uma boa aposta terem reservado uma grande parte dele para o imponente bar, onde podem jantar oito pessoas, sob a égide do polvo gigante, o Cevi, que pende do teto, mais com uma ar protetor do que ameaçador. É uma peça que faz toda a diferença na decoração.

Em todo o espaço domina a frescura, do mármore, dos brancos e do minimalismo, tal como acontece na ementa.

 

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O couvert, com a manteiga de tinta de choco, uma pasta de tomate e queijo e o pão e os grãos de milho 

 

A carta é pequena. A escolha é entre os ceviches de vários tipos de peixe, as causas e o quinoto. Gostei que me tivessem perguntado se queria o couvert, que sim, que quis, e em boa hora, porque era ótimo, sobretudo o bolo/pão de milho e os insuflados e grandes grãos de milho peruano levemente torrado.

 

 

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Ceviche de atum com folha de arroz 

 

Rapidamente , chegou o Ceviche de Atum, com a acidez perfeitamente equilibrada, onde se percebe uma vaga nota da fermentação do kimchi. Da próxima vez, não vou dividir com ninguém, vai ser só para mim. Foi de todo o jantar o meu prato preferido.

 

 

 

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A causa peruana: leva frango, batata, abacate, alface e lavagante

 

 

A seguir, uma causa, um prato tradicional peruano em que a estrela é o puré de batata, talvez o mais interessante do prato, que está muito aligeirado pela alface e pela doçura do abacate.

 

 

 

 

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O quinoto do mar, um prato que se tornou viral 

 

 

Para rematar, não poderia faltar o já famoso Quinoto do Mar, um risoto feito com quinoa, uma semente extremamente saudável e isenta de glúten. Tem ainda a vantagem de absorver outros sabores, sem perder a identidade nem a textura. O quinoto é quase um terra-mar, uma vez que a quinoa absorveu os caldos marinhos sem perder o característico sabor a cereais e frutos secos. Vem encimada por um pequeno lombo de peixe, super fresco, e com uma agradável espuma de ostra.

 

 

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Chocolate das Américas, em várias texturas 

 

 

Para rematar, pedi o Chocolate das Américas uma intensa sobremesa de chocolate em várias texturas, talvez o prato menos leve de toda a refeição, mas que estava perfeito.

Se tivesse que definir esta refeição, diria frescura de produtos e frescura de sabores. Frescura é o que muitas vezes falta infelizmente nos restaurantes, mas não na Cevicheria.

O que também não faltou, foi um serviço impecável. Conseguem ser rápidos e eficientes, sem nunca sentirmos que estão com pressa de rodar mesas. Atenção e simpatia constantes. Para aumentar a eficácia das listas de espera, há um empregado só dedicado a esta tarefa.

 

Ha uma ementa de degustação a 35 euros, que não experimentei, mas que me parece valer a pena, sobretudo para quem vai pela primeira vez.

Agora que já conheço a Cevicheria vou voltar, mas sempre a horas menos frequentadas. Filas não é comigo.

 

Duas das fotos, a do polvo e da sobremesa de chocolate foram «autorizadamente» retiradas do FB do restaurante.

 

 

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Sexta-feira, 08.01.16

A COMIDA QUE MATA A MESA

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Nas Simposíacas, Plutarco analisa o banquete, como antes já o havia feito Platão. Nascido no século I d.C., este filósofo grego que se tornou romano afirma que o banquete não tem lugar para dar prazer ao corpo, mas sim ao espírito. Depois de o estômago satisfeito com a comida, chega a altura do verdadeiro banquete, o do espírito, que tem lugar entre o vinho e as conversas. Quando o corpo está alimentado, pode falar a alma. Interroga-se Plutarco sobre quais serão os temas mais adequados a essas conversas: «Qual das mãos de Afrodite feriu Diómedes», «Quais são os gracejos permitidos?», «Podem discutir-se questões filosóficas?» e «políticas?». Faltaram-lhe duas das mais candentes perguntas: «Será lícito falar constantemente de comida à mesa?» e «Será educado tirar fotografias à comida?».

Nós portugueses que nos orgulhamos da nossa cozinha mediterrânica actualmente definida também, ou sobretudo, pela convivialidade, de que falamos à mesa?

Falamos demais em comida. Comemos e falamos do que já comemos, do que estamos a comer e do que vamos comer amanhã e depois. À mesa, a comida pertence ao reino do corpo e do espírito, tudo avassala.

 

Tão importante se torna a comida que não há comensal que se preze que não tire fotografias ao que está a comer. Receio até que as redes sociais já tenham mais fotos de pratos do que de cãezinhos e gatinhos. Não há programa de televisão, seja ele de automobilismo, de arquitectura ou de história, que não fale em comida e não ilustre a provocação descarada da food porn. Ainda não chega? Será que a comida tem mesmo de matar a mesa?

Bom Ano, com boas comidas e boas conversas.

 

 

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