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Conversas à Mesa

10 DESEJOS PARA A COZINHA PORTUGUESA EM 2018

 

 

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AQUI FICAM OS MEUS 10 DESEJOS PARA A COZINHA PORTUGUESA EM 2018

 

 

  1. Que se faça justiça salarial na cozinha dos restaurantes. Se queremos ter bons profissionais, pessoas com formação profissional a trabalhar, nas cozinhas, há que pagar-lhes o seu justo valor. É preciso não esquecer que a profissão de cozinheiro, de pasteleiro ou de ajudante é muito exigente em termos físicos e de horários. Para parar o corrupio de entradas e saídas nos restaurantes, é preciso manter os salários em níveis justos e não explorar ninguém, muito menos os mais frágeis.
  2. Que continue a aumentar a qualidade dos nossos cozinheiros. Ainda há poucos anos era difícil nomear uma dezena de cozinheiros de topo. Contavam-se pelos dedos das mãos. Hoje, já é difícil contá-los, de tantos que são. E as melhores notícias é que há imensos jovens entre eles.
  3. Que haja cada vez mais chefs pasteleiros nos bons restaurantes. Num país como o nosso de enorme e antiga tradição em pastelaria, com tanta doçaria para valorizar, há todas as razões para que existam chefs pasteleiros nos restaurantes de topo. E que estes pasteleiros sejam pagos pelo seu justo valor, porque o merecem.
  4. Que se reponham as toalhas de pano nas mesas dos restaurantes. As superfícies nobres, como a madeira, podem ser muito calorosas, mas não há nada mais bonito e mais higiénico do que uma toalha de algodão ou de linho alva e imaculada. Sei que é uma grande despesa, a da lavandaria, mas de grande efeito sobre o cliente. Já nos outros restaurantes, aqueles que apresentam as toalhas de fibra em cores berrantes que apenas se sacodem e nunca se lavam, desejo que as deitem para o lixo e usem apenas toalhetes de papel não recicláveis.
  5. Que se usem cada vez mais os nossos produtos. E que estes sejam de boa qualidade. Nas cozinhas, passada a onda da cozinha da avozinha, entrámos no ciclo do produto. Fala-se muito do produto, mas faz sentido falar dele se for de qualidade. Para isso há que pagar a diferença de preço e. depois será preciso ensinar o cliente a respeitar essa diferença de qualidade e a pagar-lhe o preço. Dada a parca apetência das nossas classes sociais endinheiradas pelo produto de qualidade, e a sua fixação inabalável na quantidade, não será tarefa fácil.
  6. Que se estreitem os laços entre produtores e cozinheiros. Para que os produtores possam fornecer produtos de qualidade diferenciados é necessário que haja um compromisso por parte dos cozinheiros em manter o seu consumo, estabelecendo-se uma relação sustentável. Sim, que a sustentabilidade também passa por aqui. Só assim cozinheiros e produtores poderão crescer juntos.
  7. Que em 2018 haja restaurantes de cozinha regional com estrelas Michelin. Ou restaurantes dos nossos maravilhosos peixes e mariscos, os melhores do mundo. Temos destes restaurantes com uma cozinha de incrível qualidade, assim possam os respectivos restauradores investir na sala e nos precisos para a michelinice. Como é possível que um país como Portugal, que se orgulha da qualidade e da variedade das suas cozinhas regionais, não tenha restaurantes deste tipo com estrelas?
  8. Que haja algum cuidado nas licenças para os restaurantes do centro das cidades e vilas. Cascais, por exemplo, é dominada por um omnipresente cheiro a caril. Seria interessante que nos centros onde há maior quantidade de restaurantes e de turistas, se pudessem achar sobretudo restaurantes de comida portuguesa.
  9. Que Portugal se torne um importante destino gastronómico. Isto é, que os turistas venham a Portugal não apenas pela natureza ou pelos monumentos, mas também pela sua cozinha, até agora praticamente desconhecida no estrangeiro.
  10. Por último, e extravasando, que a qualidade da nossa cozinha em casa e nas cantinas melhore, acomodando mais produtos frescos, de modo a que a alimentação possa tornar-se um factor de saúde e não de doença.