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Conversas à Mesa

Doces amarantinos: dos conventuais aos populares

OS FOGUETES DE AMARANTE

 

Como os doces de Amarante não são nenhumas lérias foi num foguete e com a ajuda de São Gonçalo e de uma brisa do Tâmega que soprava fresca que entrámos na Tinoca e nos pusemos na galhofa ao depararmo-nos com as ferramentas do dito santo, que afinal é beato. 

 

BRISAS DO TÂMEGA

 

Pois é, assunto tão sério os doces de Amarante e deu-me para aqui. Muitos deles tiveram origem nas níveas e santas mãos das Clarissas, aconventadas em Amarante. Eu sou grande fã de doces de ovos e se me derem um jarro de água fresca sou capaz de comer uma boa porção deles. Estando em Amarante, e estando a Lailai fechada há tantos anos embora a loja esteja ainda quase intacta, a opção lógica é a Tinoca, para onde foi parte do pessoal da Laialai.

 

CAIXA DE BOLOS DA TINOCA

 

Passado primeiro impacto que nos faz colar ao balcão dos bolos situado logo à entrada, vale a pena dar mais uns passos e tomar uma bebida nas mesas com vista para o Tâmega, um rio lindíssimo.

 

 


 

Passo a dar-vos a conhecer “pessoalmente” os que eu mais gosto. Comecemos pela estirpe conventual:

Lérias, à base de amêndoa, açúcar escuro e farinha trabalhados em conjunto, feita a massa num rolo que é cortado em rodelas grossas que vão ao forno e são passadas em calda de açúcar (ver receita Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto)

 

LÉRIAS

 

Foguetes, canudos de ovos moles e amêndoa enrolados em hóstia e passados em calda de açúcar (ver receita Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto) - FOTO NO INÍCIO

 

 

 

BRISAS DO TÂMEGA: os deliciosos barquinhos de bolacha recheados de ovos moles

 

 

 

SÃO GONÇALOS, os meus favoritos: queijinhos de ovos e amêndoa 

 

E finalmente os extraordinários e meus super-favoritos papos de anjo, uma espécie de pequenos rissóis de hóstia recheados com ovos moles e que nada têm a ver com os papos de anjo de Mirandela (que incluem doces de fruta)

 

PAPOS DE ANJO

 

Depois há os outros, os de tradição popular. São Gonçalo não é santo mas beato: Viveu e faleceu no século XIII em Amarante, sendo responsável pela construção da ponte de pedra ainda hoje de pé e com o seu nome. O santo homem vê uma parte da sua fisiologia que de pouco lhe teria servido transformada em bolo brejeiro através do carinho do povo: as ferramentas de São Gonçalo, doces de massa de farinha e açúcar, com ou sem recheio, semelhantes às galhofas.  Diz-se que este seria uma homenagem ao papel conciliador de desavenças matrimoniais do beato. Quem o come são sobretudo as mulheres, em geral como oferta amorosa do companheiro. Esteve este doce proibido por indecente durante os 40 anos, embora se tenha sempre portado como bolo da resistência, sendo confeccionado na clandestinidade. 

 

A FERRAMENTA DE SÃO GONÇALO

 

A mística deste doce tão popular está ligada a inúmeras quadras, como por exemplo as que lhe fez António Patrício e que deram um livro. Quis escolher uma para partilhar convosco, mas não consegui escolher. Comprem os bolos e o livro na Tinoca...

 

O LIVRO A CONDIZER

 

Rua 31 Janeiro 62 

4600-043 AMARANTE Amarante

255 432 907

 

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