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Conversas à Mesa

A Inês do Aleixo


 

Do lado de cá a pescada; do de lá o polvo; e no meio o arroz do mesmo

 

 

 

 

 Sempre gostei de ir ao Aleixo, mas sempre lá comi a mesma coisa: filetes de polvo ou de pescada e aletria. É um daqueles restaurantes onde nunca olhei para a carta. Ora soube há pouco tempo que, devido a uma dissidência, tinha aberto um novo restaurante, o Inês do Aleixo, muito perto do original, nas vizinhanças da estação tripeira da Campanhã. 

 

 

A rua do restaurante, muito perto da Campanhã

 

  A placa do restaurante alude inequivocamente ao cefalópode

 

 Como tinha de ir ao Porto e tinha duas refeições livres, escolhi dois restaurantes completamente diferentes para experimentar. Um deles foi o Inês do Aleixo e o outro o Yeatman, de que falarei a drede.

Vamos então à história do primeiro, tal como me foi contada pela própria Inês filha. O Aleixo pertenceu a um galego que resolveu passá-lo ao Sr. Ramiro Gonçalves, seu funcionário, por 100 contos de réis caso ele casasse com D. Maria Inês, uma de 3 filhas de um armazenista de vinhos a quem muito prezava. O casamento deu-se e daí resultaram dois filhos: Ramiro júnior e Inês júnior. Falecido o pai de família há cerca de 30 anos, o restaurante ficou nas mãos da restante família. Devido a desavenças, Ramiro filho abandonou o Aleixo, ao qual regressou recentemente depois de sua irmã ter saído para fundar sozinha (com o marido) uma nova unidade: o tal Inês do Aleixo.


  

 A Inês do Inês do Aleixo

 

 

 

Comecemos pelas comidas. De entrada, uns preciosos bolinhos de bacalhau miniatura com salada de feijão-verde. Gosto desta forma de designar o feijão-frade com cebola picada, parece torná-lo ainda mais saudável. E, logo de seguida, lá vieram eles filetes de polvo e de pescada, igualmente bons e carotes. As meias-doses custam respectivamente 14 e 15 euros e apenas trazem um filete de cada, aliás como acontecia na casa-mãe. O filete de pescada tem a mesma cremosidade que une o peixe muito fresco, sem sombra de pecado, à respectiva capa. O de polvo é tenro e saboroso e sem diferenças em relação ao seu progenitor. O arroz do mesmo cefalópode que o acompanhou estava um pouco seco e com pouca frescura, mas nada de muito grave.

 

 

 

 Aletria e pudim francês: vale a pena apostar na aletria

 

 

A aletria, muitíssimo bem. Ou seja, em matéria de comidas, ela por ela. Há sempre pratos do dia, como vitelas e cabrito. A lista é limitada: 3 pratos de peixe (um deles uma despropositada espetada de lulas e gambas) e 3 de carne, facto que me é completamente indiferente, visto lá ir só de quando em quando e sempre para comer o mesmo, conforme já referi. 

 

 

 

 A sala com a cozinha à vista

 

  

A nível de instalações, o Inês fica a perder. O espaço e as paredes do velho Aleixo são mais bonitas. Agora o que se passou foi muito calor, visto que não há ar condicionado e abafa-se, mesmo com o restaurante pouco cheio. Se decidir lá comer, opte pela sala de entrada, que é mais fresca e não tem o calor da cozinha que está à vista na segunda sala.

O que concluo então? Bom que é sempre mais uma possibilidade para comer filetes de polvo e de pescada e aletria. E quanto mais possibilidades, melhor. 

 

 

 


 Estávamos em pleno São Pedro

 

 

 

 

Restaurante Inês do Aleixo

R. de Miraflor 20

4300-332 Campanhã

Porto

Tel. 225106988