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Conversas à Mesa

Mesa Marcada: os melhores chefs e restaurantes

Aqui deixo algumas reflexões que me foram suscitadas pela classificação promovida pelo blog Mesa Marcada dos nossos chefs, restaurantes, vinhos e enólogos. Os resultados publicados em Dezembro de 2011 (v. abaixo) resultaram da votação de um painel de 59 pessoas, no caso dos restaurantes, e de 52, no caso dos chefs, todas elas ligadas às áreas em questão. Uma louvável iniciativa de Duarte Calvão, Miguel Pires e Rui Falcão, que faz mexer o panorama nacional. Uma classificação ao jeito dos 50 Best, em que todos os restaurantes concorrem numa só lista.

 

Depois de ter dedicado alguma atenção a estas duas listas, houve alguns resultados que chamaram a minha atenção e que talvez possam provocar alguma reflexão a quem, como eu, teve a responsabilidade de votar, nomeadamente sobre o papel das estrelas Michelin e a força da comunicação nas classificações.

 


Na lista de chefs, Leonel Pereira ficou em primeiro lugar à semelhança do ano passado, deixando para trás estrelas e grandes comunicadores e tornando-se um caso de inabalável solidez, que traduz todo o seu valor baseado na criatividade e no trabalho, os elementos-chave da sua carreira. Parabéns o Leonel Pereira e ao Panorama, que subiu de segundo para primeiro lugar.

 

Estabilidade é também o caso de Henrique Mouro, que solidificou honrosamente no meio da tabela. Registaram-se ainda duas subidas de restaurantes propriedade de chefs: o Pedro Lemos (8º), do próprio (13º), e o Bocca (10º), de Alexandre Silva (15º).

 

Dois casos de subidas tipo assento ejéctavel do Aston Martin do  007 saltam à vista. Vítor Matos (de 27º para 11º) com o seu Largo do Paço, Casa da Calçada (subiu 20, para 8º) e Ricardo Costa (18 lugares) e o Yeatman (49 lugares). No primeiro caso, terá sido obra da maior visibilidade ganha pelo chef nortenho no Tributo a Claudia e na Rota das Estrelas? No segundo, a catapultagem terá sido obra da estrela Michelin, anunciada cerca de um mês antes, Ou simplesmente este ano foi o tempo necessário para que se ficasse a conhecer um restaurante muito bem comunicado?

 

Já no pólo oposto, a estrela novamente atribuída ao Tavares, agora com Aimé Barroyer aos comandos, de pouco lhe parece ter valido: o chef ficou em 19º lugar e o restaurante em 15º.  

 

Pior ainda ficou o Willie’s, uma estrela Michelin há vários anos e nem sequer consta da lista, tendo perdido para restaurantes como O Tomo de Algés (refiro este por ser o último dos 130!) que ainda conseguiu 1 votante. 

 

Números perfeitamente previsíveis são os da ligeira subida do Ocean (7 lugares) e de Hans Neuner (9 lugares), assim como os do Feitoria (subiu 2 lugares para 6º) e de José Cordeiro (subiu 3 lugares para 9º).

José Avillez surgiu em 4º lugar, à frente de Neuner, embora já não estivesse no Tavares em 2011, mas sim no Cantinho do Avillez (27º), o que sugere que certas classificações possam ser mais um tipo Prémio Carreira do que Óscar do Ano.

 

As classificações têm estas coisas: sempre polémicas, e fecundas quando nos fazem pensar.

 

TOP 10 Restaurantes

Panorama (Sheraton Lisboa)

Fortaleza do Guincho (Cascais)

Vila Joya (Galé)

Ocean Vila Vita (Porches)

Assinatura (Lisboa)

Feitoria (Altis Belém)

The Yeatman (Vila Nova de Gaia)

Largo do Paço, Casa da Calçada (Amarante)

Pedro Lemos (Porto)

Bocca (Lisboa)

 

TOP 10 Chefes

Leonel Pereira (Panorama, Sheraton de Lisboa)

Vincent Farges (Fortaleza do Guincho, Cascais)

Dieter Koschina (Vila Joya, Galé)

José Avillez (Cantinho do Avillez)

Hans Neuner (Ocean, Vila Vita)

Ricardo Costa (The Yeatman, V. N. Gaia)

Henrique Mouro (Assinantura)

Lyubomir Stanisic (100 Maneiras, Bistro 100 Maneiras)

José Cordeiro (Feitoria, Altis de Belém)

Vítor Sobral (Tasca da Esquina, Cervejaria da Esquina)