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Conversas à Mesa

Avenue da Marlene

Um dia de chuva a somar às dezenas e dezenas que temos tido este Inverno, que devemos andar a pagar a dívida que os alemães nos imputam com raios do nosso quinhão de sol. Se temos uma média de 250 dias de sol por ano como dizem, o de 2013 vai ter que ser revisto em baixa.

É feriado, Lisboa está deserta, uma boa razão para lá ir. Saio de Cascais direita ao Avenue e encontro lugar mesmo à porta. Este restaurante de capitais angolanos,  é uma óptima paragem de almoço para as minhas patrícias que (felizmente para nós) gostam de comprar nas chiquíssimas lojas da dita Avenue, a da Liberdade. Até tem uma enorme foto de Luanda no reservado, que me fez sentir em casa. E uma óptima paragem para quem quer que goste de comer bem.



 

 






Depois de se ultrapassar a sempre inconveniente escadaria de entrada, o ambiente é agradável, muito luminoso devido às imensas vidraças por onde entra a jorros a luz que nos permite desfrutar do movimento da avenida.

O serviço manteve-se cortês, educado e eficiente para mais do suficiente.

 

 






Aqui a cozinha está nas mãos de uma mulher, a chef Marlene Vieira, uma jovem perfeccionista que gosta de cuidar de tudo quanto se passa na sua cozinha. Não, não vou falar do facto de a chef ser mulher neste post (vou escrever a propósito das mulheres na cozinha, mas noutro post), nem dizer com quem ela é casada ou quantos filhos tem, como nas entrevistas das revistas ditas femininas.

 


O que eu vou dizer, isso sim, é que me soube muito bem o almoço. Comidas nossas, para os nossos palatos, que podemos desfrutar com tranquilidade enquanto conversamos, sem que nos perturbem ou se tornem o centro da conversa, mas que não são monótonas. Cada prato tem qualquer coisa que o torna único, e será dessa forma que a Marlene Vieira vai construindo a sua identidade. Bons ingredientes, bem cozinhados e bem combinados, esta é a receita do Avenue. Nenhum prato se põe em bicos de pés. Em todos o nosso sentido do gosto consegue identificar o que estamos a comer e o que há de tradicional ou de original neles.




 

 






 

 





Começando nos principais que provei, o arroz de pato tem todo o sabor do pato, mas não é um arroz seco como o tradicionalmente denominado “à antiga” (que deveria ser feito com pedaços grandes de pato e não com ele desfiado), mas sim à base de carolino e molhado qb, fazendo neste caso todo o sentido a carne desfiada. Gostei do detalhe das pak choi sobre o arroz. O cherne com arroz negro era um conjunto muito agradável, embora um pouco saboroso a queijo.










 





Nas entradas, deliciei-me com a sopa de tomate a preceito, com a cebola a mostrar-se sem vergonha, o ovo no seu melhor e a hortelã bem a propósito. A massa filo que enroupava os camarões bem crocante e estes em bom ponto de cozedura. Os mini hambúrgueres (de pato) despertaram a minha curiosidade na ementa. Desde que provei aqui há uns anos os mini do Daniel Boulud, acho que este é o tamanho certo para o hambúrguer. No caso do Avenue perdeu-se a mais valia da carne, que não sabia a pato nem a vaca. Há que aperfeiçoar.

Do lado das sobremesas, o ananás laminado com amêndoas foi um bom final de refeição. O pastel de nata desconstruído tinha demasiadas texturas macias, o gelado e o creme não faziam boa vizinhança, e havia algum excesso de canela. Fiquei com vontade de provar mais sobremesas. Aliás fiquei desejando de voltar ao Avenue.

À Marlene Vieira desejo as maiores felicidades, que bem as merece.