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Conversas à Mesa

E os chefs, o que comem?









Sempre admirei os Romanos porque sendo muito dados a excessos em determinadas ocasiões, comiam muito frugalmente no dia-a-dia. A alimentação não tem de ser igual todos os dias, nem deve haver códigos pré-estabelecidos para aquilo que podemos ou devemos comer em determinado local ou em determinada altura.

Nas antigas brigadas de cozinha havia um elemento, o Família, que só cozinhava para o pessoal. Nos grandes restaurantes continua a fazer-se comida para toda a cozinha. E não se tratam nada mal.

Quando me convidaram para um barbecue ao ar livre na Fortaleza do Guincho para comemorar a Rota das Estrelas achei uma óptima ideia por várias razões. Primeiro pelas razões acima aduzidas. Segundo, porque desta forma teria a oportunidade de conversar com os chefs que participavam na Rota das Estrelas, um evento que reúne rotativamente os chefes portugueses estrelados nos respectivos restaurantes, sendo o elenco enriquecido com convidados estrangeiros.








Vincent Farges, o chef residente, fez uma refeição simples, com tudo aquilo que os chefs, e claro, todos os que não o são, gostam. Uma panóplia de bons produtos portugueses grelhados. O nosso peixe, desde o bacalhau ao lírio, passando pela sardinha. Os nossos enchidos, chouriças e farinheiras. E os pães maravilhosos do Fortaleza. Tudo complementado com pequenos mimos, como ostras e minilegumes. Conversei longamente com dois dos convidados, o inglês Adam Simmonds, da magnífica Danesfield House, perto de Londres, que conheci pessoalmente precisamente há 4 anos numas miniférias que aí fiz, e com Michel Van der Kroft, um holandês também estrelado.



Adam Simmonds (Danesfield House), Kiko Moya (L'Escaleta) e Michel Van der Kroft ('t Nonnetje)


Os dois gabaram muito o nosso peixe, estavam encantados, o que me trouxe uma imensa felicidade. Ambos salientaram a importância do produto local na actual cozinha, uma linha neste momento mainstream. O chef inglês confessou que não gosta de comer peixe ainda com espinhas, daí a sua dificuldade em apreciar a sardinha. Falámos ainda da actual cozinha inglesa e do longo caminho que esta tem percorrido e do caso particular dos pubs. Hoje, o inglês não vai tanto ao pub beber a cervejola antes do jantar  e meter o dente numa pie; hoje a tendência é ir ao pub almoçar ou jantar. Por isso a oferta mudou muito, mas dos pubs ingleses falarei em breve num post.   










Há muito tempo que não comia um clafoutis de cerejas. 





Iniciativa interessante esta da Fortaleza. Parabéns à Petra, ao Vincent e à Ana Músico. Gostei muito. Gosto sempre muito de ir ao Fortaleza. 




 

O Miguel Gameiro está a fazer estágio na cozinha de Vincent Farges e animou o almoço com as suas canções

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