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Conversas à Mesa

FRESCURA em A CEVICHERIA

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Andava a adiar a minha ida à Cevicheria porque sabia que era difícil arranjar lugar e não fazem reservas, dada a pequena dimensão do restaurante. E se há coisa que detesto, é esperar na fila para comer. Mas a semana que passou, tendo feito um almoço muito ligeiro, estava capaz de jantar cedo e cheguei à porta do restaurante às 19 h30. Até tive a sorte de arrumar o carro à primeira passagem nos laterais do jardim do Príncipe Real. À porta do restaurante já havia fila, mas a sorte bafejou-me: a maioria dos que esperavam eram grupos de 4 ou mais pessoas e eu queria uma humilde mesa para dois. E lá avancei quase de imediato para a dita.

A Cevicheria e o Talho são os dois restaurantes do Kiko, uma espécie de namorado da nossa cozinha de quem toda a gente gosta. O Kiko é extremamente mediático (é fantástico em televisão), e tornou-se conhecido de toda a gente em menos de um fósforo. Põe a cabeça e o coração em todos os projetos que faz. Tanto O Talho, o seu primeiro restaurante, como A Cevicheria, destinam-se ao «grande» público (não em termos de capacidade económica, mas de interesse na cozinha). A sua criatividade está no todo dos seus projectos, e não apenas na cozinha, e tem sido recompensada, não só pelas pessoas que fazem fila à porta da Cevicheria ou que enchem o Talho, mas também por todos os media da especialidade. Carry on Kiko. (Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, eu desconfio que Kiko é um pseudónimo de duas pessoas, o Francisco e a Maria).

 

 

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De volta à Cevicheria. O restaurante tem um espaço interessante. Achei uma boa aposta terem reservado uma grande parte dele para o imponente bar, onde podem jantar oito pessoas, sob a égide do polvo gigante, o Cevi, que pende do teto, mais com uma ar protetor do que ameaçador. É uma peça que faz toda a diferença na decoração.

Em todo o espaço domina a frescura, do mármore, dos brancos e do minimalismo, tal como acontece na ementa.

 

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O couvert, com a manteiga de tinta de choco, uma pasta de tomate e queijo e o pão e os grãos de milho 

 

A carta é pequena. A escolha é entre os ceviches de vários tipos de peixe, as causas e o quinoto. Gostei que me tivessem perguntado se queria o couvert, que sim, que quis, e em boa hora, porque era ótimo, sobretudo o bolo/pão de milho e os insuflados e grandes grãos de milho peruano levemente torrado.

 

 

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Ceviche de atum com folha de arroz 

 

Rapidamente , chegou o Ceviche de Atum, com a acidez perfeitamente equilibrada, onde se percebe uma vaga nota da fermentação do kimchi. Da próxima vez, não vou dividir com ninguém, vai ser só para mim. Foi de todo o jantar o meu prato preferido.

 

 

 

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A causa peruana: leva frango, batata, abacate, alface e lavagante

 

 

A seguir, uma causa, um prato tradicional peruano em que a estrela é o puré de batata, talvez o mais interessante do prato, que está muito aligeirado pela alface e pela doçura do abacate.

 

 

 

 

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O quinoto do mar, um prato que se tornou viral 

 

 

Para rematar, não poderia faltar o já famoso Quinoto do Mar, um risoto feito com quinoa, uma semente extremamente saudável e isenta de glúten. Tem ainda a vantagem de absorver outros sabores, sem perder a identidade nem a textura. O quinoto é quase um terra-mar, uma vez que a quinoa absorveu os caldos marinhos sem perder o característico sabor a cereais e frutos secos. Vem encimada por um pequeno lombo de peixe, super fresco, e com uma agradável espuma de ostra.

 

 

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Chocolate das Américas, em várias texturas 

 

 

Para rematar, pedi o Chocolate das Américas uma intensa sobremesa de chocolate em várias texturas, talvez o prato menos leve de toda a refeição, mas que estava perfeito.

Se tivesse que definir esta refeição, diria frescura de produtos e frescura de sabores. Frescura é o que muitas vezes falta infelizmente nos restaurantes, mas não na Cevicheria.

O que também não faltou, foi um serviço impecável. Conseguem ser rápidos e eficientes, sem nunca sentirmos que estão com pressa de rodar mesas. Atenção e simpatia constantes. Para aumentar a eficácia das listas de espera, há um empregado só dedicado a esta tarefa.

 

Ha uma ementa de degustação a 35 euros, que não experimentei, mas que me parece valer a pena, sobretudo para quem vai pela primeira vez.

Agora que já conheço a Cevicheria vou voltar, mas sempre a horas menos frequentadas. Filas não é comigo.

 

Duas das fotos, a do polvo e da sobremesa de chocolate foram «autorizadamente» retiradas do FB do restaurante.