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Conversas à Mesa

Ainda na senda da carne




O hambúrguer tem grandes detractores. Símbolo demoníaco da Fast Food e do imperialismo estadounidense, tem sido alvo do profundo desprezo.
As gerações mais antigas, como a minha , não comeram hambúrguer em crianças, mas sim bife raspado. Lembro-me de o ver fazer com uma faca que r retirava pequenas raspas de carne, partindo-lhes a fibra e tornando a carne mais macia para dentes de leite. O que me lembro de mais parecido com um hambúrguer era o bife tãrtaro de que o meu pai era grande apreciador.
O hambúrguer foi há alguns anos reabilitado por grandes cozinheiros e restaurateurs, como Daniel Boulud, nos EUA, e tornou-se presença digna nas ementas dos bistrôs. Pode ser um prato de grande valor quando feito na perfeição, conforme explica Heston Blummenthal no livro In Search of Total Perfection . A perfeição depende da mistura de varias peças de carne, umas responsáveis por introduzir a necessária gordura que lhe empresta o sabor, outras a textura macia mas não mole. Para mim, o essencial num bom hambúrguer é a textura, deve ser macia mas permitindo ao dente encontrar alguma resistência. Depois, claro, o resto tem a ver com a qualidade do pão, que deve ter sempre um leve sabor adocicado, funcionando mais como uma pega que não se sobrepõe à carne nem pelo sabor nem pela textura. O resto fica a cargo dos molhos e outros complementos.











Gosto de comer hambúrguer de vez em quando, quando preciso de um prato mais neutro, que sendo de sabores simples, salgados da carne e adocicados do pão e dos molhos, dê descanso às papilas gustativas.







Ainda na senda do bife, decidi experimentar a hamburgueria Casavostra, em Almancil, no local onde era a antiga pizzaria com o mesmo nome. Tinha lá ido no mês de Agosto e tive de esperar quase 1 hora até que o hambúrguer chegasse à mesa. Não tencionava lá voltar, mas no mês de Setembro fui confrontada com uma combinação de amigos que não quis recusar.
Desta feita, casa meia cheia, serviço rápido e uma lista bastante fantasiosa. O hambúrguer do dia casava figos e foie gras. Pedi o que gosto, um dos mais clássicos, queijo e bacon. Estava bom, bom pão, boas batatas fritas caseiras, hambúrgueres moldados à mão. Houve quem comesse uma versão na frigideira com molho e ovo tipo bitoque e até há a possibilidade de trocar as batatas por esparguete.
A decoração é descontraída mas cuidada. A cozinha está no centro do restaurante, bem à vista. Tem esplanada . Preço dos hamburgueres entre os oito e os nove euros.
Ideal para levar jovens e crianças.

PASSEIO PARA AMANHÃ DOMINGO

 

Saia de casa cedo amanhã. Vá até às Avenidas Novas, um óptimo bairro para se passear.

Comece por um pequeno-almoço calmo no Pão Nosso, esquina da Miguel Bombarda com a Marquês de Sá da Bandeira. O sistema desta padaria é curioso. Cada dia da semana recebem pães de diferentes proveniências. Têm uns bons papo-secos, bem apessoados na sua côdea, dão vontade de começar logo pelas maminhas. O pessoal é muito simpático e há jornais do dia para ler.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois é só atravessar a rua e entrar na Gulbenkian para ver uma bem estruturada exposição sobre o século XX: “Sob o signo de Amadeo, Um século de arte”. O seu miolo são os quadros de Amadeo de Sousa Cardoso que já estiveram na anterior exposição na Gulbenkian, complementados por outros autores representativos das artes plásticas do século XX. Deixo-lhe aqui dois ou três que mais me tocaram. Sou grande apaixonada de Amadeo e dou-lhe de conselho que atente nas datas dos quadros e veja todo o futuro da pintura do século XX já ali desenhado.

Ao Domingo a entrada é grátis de manhã.

Entre as minhas preferências estão estas obras.






 

Amadeo, "Cozinha da casa de Manhufe", 1913





Vespeira, "O Menino Imperativo", 1952







 

 

António Soares, "Natacha", 1928



 

 Ângelo de Sousa, uma de quatro telas,  sem título, anos 80.


 

 

Saia da exposição pelo lado da cafetaria (que tem a esplanada toda renovada) e dirija-se novamente à saída da Marquês de Sá da Bandeira para comer um gelado na nova gelataria Ice Gourmet do chef Bertílio Gomes. O espaço está muito bonito e a esplanada convida a sentar e relaxar. Um dos meus sabores preferidos é o eucalipto. Depois diga-me o que acha.

 



 








 

 



 

Arte no jardim





 

Continuando no Orfeu, faça uma visita à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, de arquitectura modernista da autoria de Pardal Monteiro e com vitrais da autoria de Almada Negreiros. Uma revolução em 1938. Entre e veja a beleza dos candeeiros e das estátuas em madeira nas capelas. Depois não deixe de ir à capela de Nossa Senhora da Piedade, logo na entrada, para ver aqueles que são os meus vitrais preferidos de Almada Negreiros. A capela convida ao recolhimento, deixe-se ficar um momento.




 

 


 

 

 

 

 

 

Os 50 Best da América Latina

Saiu a lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina. A incognita era saber quem seria o vencedor, o cabeça de série, se Gaston Acurio se Alex Atala, se o Peru se o Brasil. Este ultimo país tinha todas as condições para se impor na lista, tanto pela abundância e nível técnico e criativo dos seus cozinheiros como pela qualidade e variedade dos seus produtos. Mas, no fim, foi o Peru que levou a taça. O evento teve lugar em Lima e não registou nenhum patrocinador brasileiro. 

A lista dos melhores 50 pode encontrá-la aqui. Folgo muito em ver a Helena Rizzo em 5º lugar, o Mocotó de Rodrigo Oliveira em 16º lugar e o Remanso do Bosque dos Irmãos Castanho em 38ª com a menção honrosa de restaurante a ter debaixo de observação, para além de alguns outros brasileiros. Rizzo ganhou o prémio feminino da Veuve Clicquot. 

 

 

NA SENDA DO BIFE






Estes últimos dias virei feroz carnívora e tenho andado numa senda de bifes e mais bifes. Estou a dar azo à minha ascendência visigótica, o meu lado bárbaro da carniça.
Operação bem arriscada, dado o mau estado presente das nossas carnes, salvo seja. Apesar de termos magnificas raças autóctones, como a arouquesa, a mirandesa ou a barrosã, estes animais não chegam para parcas encomendas. Mesmo nos seus habitats naturais não são usadas. É o velho problema das raças de crescimento lento, cada quilo de carne sai caro, quem as criava deixou de as querer, mas ainda não há mercado para os consumidores mais exigentes dispostos a pagar a qualidade. O cozido barrosão servido num restaurante de Pitões das Júnias onde comi não levava vaca Barrosã!



Chapitô



Cantinho do Avillez





Dos três últimos restaurantes onde comi bife não me posso queixar, muito pelo contrário. Verifiquei também que já existe bastante cuidado em servir a carne no ponto de cozedura pedido.
Comecei no Chapitô do Bertílio Gomes, com um bom bife e umas batatas fritas grossas muito bem feitas e seguiu-se-lhe um prego do lombo, delicioso para comer à mão enquanto os sucos escorrem e hoje estou no Algarve. Em Vale do Lobo, no uruguaio Gourmet Natural.
Logo na entrada, passamos pelo belíssimo lume da parrilla para entrarmos num tropicalíssimo terraço enquadrado por bananeiras, palmeiras e buganvílias.
Está uma noite sem vento, temperatura perfeita. Gosto da iluminação dos candeeiros alaranjados, da música a condizer, da simpatia excepcional do pessoal.
Há muitos cocktails com e sem álcool, mojitos e Margaritas, piñas coladas etc.
As entradinhas são gostosas, um carpaccio de carne com molho picante, uns tomates cereja envolvidos em sementes de sésamo.











A carta oferece camarões e peixe mas sobretudo carnes. Vários tipos de bife, todos carne do Uruguai (preços entre 22€ e 25 €), acompanhamentos diversos pagos à parte. Escolha também dos molhos. Molho chimichurri, de ervas, azeite e limão.








Experimentei o Ancho (do acém), a vazia e o lombo. Todos bons, com o agradável gosto da parrilla. Igualmente louváveis os acompanhamentos: cogumelos, batatas fritas em palitos grossos e batata-doce com amêndoa.




pl



Boa carta de sobremesas, experimentados os gelados, óptimo o de pistácio. Serviço excepcionalmente atencioso e eficiente.




K





Refeição por cabeça cerca de 40 €

Gourmet Natural
Vale do Lobo
Reservas +351 289 355 271

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