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Conversas à Mesa

MANHOSICES COM POLVO, POTA E CHOCO

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Falsificações no reino da comida sempre foram comuns no nosso país. O polvo e o choco andam a ser substituídos por pota, molusco substancialmente mais barato que ronda um terço do preço do polvo. Como nos podemos defender?

 

Hoje, em certos restaurantes, é corrente substituir-se o polvo por pota, mas há uma forma de distinguir os tentáculos de polvo dos de pota. Enquanto o polvo tem duas fiadas de ventosas bem visíveis, a pota só apresenta uma fiada. esta substituição é comum nos filetes e nos arrozes. Já comi vários arrozes de polvo feitos com pota. Num dos casos, os tentáculos estavam cortados em fatias tão finas e tão secas que não eram visíves quaisquer ventosas. 

 

Na foto do polvo, em baixo, são visiveis as duas fiadas de ventosas nos tentáculos, enquanto os da pota apenas têm uma (foto em cima).

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Também se tornou comum substituir o choco por pota no caso daquelas tiras grossas de choco frito. As potas de grandes dimensões sao divididas na parte dos tentáculos e na cabeça, que, depois de aberta, costuma ser designada por manto. É este manto que é cortado em tiras grossas e usado em certos restaurantes como choco frito, ou até em feijoadas de choco. 

 

Tiras de pota em baixo

 

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Distinguir estas manhosices pelo sabor com absoluta certeza é difícil. Mas agora já sabe as manhosices que andam por aí.

QUERIDO ORLANDO

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A ANTIGA CASA DE PASTO ORLANDO é conhecida também pelo nome curto, o Orlando. Exibe orgulhosamente a data de 1942 como a sua fundação e mantém a traça das portas largas que caracterizava a mistura entre a taberna, a tasca e o armazém de vinhos. 

A decoração da sala não pode ser mais característica da típico tasca a descair para o restaurante cantina: desconfortável e barulhento. A decoração nunca parece ser obra de alguém (não seria possível alguém imaginar aquela junção de objectos), mas sim resultar da interpretação do imaginário popular por parte de uma qualquer entidade um pouco malévola. Quadros alusivos ao mar pintados certamente pela mão de clientes mais satisfeitos e generosos, e uma parafernália de objectos cujo conjunto é mais difícil de fazer sentido do que um quadro do Miró. E, pour cause, assim que entrei, senti-me lá muito benzinho, sentada nas cadeiras de tubo metálico e encostando a barriga às mesas de melamina. Pratos e talheres a condizer e os copinhos daqueles que vêm feitos em duas metades unidas. Nada de surpresas, graças aos santos.

O prato do dia era cozido,tinha óptimo aspecto, alcantilado na travessinha de inox,  mas eu viera ao peixe. Apesar do vento e das consequentes escassas saídas dos pescadores, avistei na montra piscícola da entrada uns carapaus (ainda fora de época) que chamavam por mim. Comecei por uma sopinha de legumes com couve e uns esparsos feijões, verdadeiramente perfeita e , ainda por cima, feita com um azeite muito civilizado, nada daquelas lampâncias das tascas. Seguiram-se uns chocos fritos com batata frita caseira e uma bela salada a dividir por dois e os carapaus, bem grelhados e saborosos, com boa batata cozida. A regar, o vinho da casa, da região de Palmela, jovem e a saber a uva, muito agradável e curiosamente servido numa garrafa de cidra...

a rematar, uma magnífica, mas mesmo genuína, torta de laranja, tão difícil de comer boa hoje em dia, desde que foi recuperada pelo restaurante mais moderninho, e um melão jeitoso. 

No fim, a conta, 10 euros por bico, com sopa, prato principal e sobremesa, vinho e água. 

Pode-se pedir Mais ou Melhor? Não. Que pena a Antiga Casa de pasto Orlando não ser perto de minha casa. 

 

 

 

 

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Os carapaus, por dentro nada secos

 

 

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O vinho de Palmela em garrafinha de cidra

 

 

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 A torta de laranja, de textura ideal e sabor à dita

 

 

 

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Antiga Casa de Pasto Orlando

Rua 1º de Maio, 17,  Setúbal (muito perto da Luísa Todi)

Tel: 26 5524876

Fecha aos Domingos e Feriados