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Conversas à Mesa

FOODPORN

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Se vai ao Instagram e segue perfis de comida, há-de ter reparado na quantidade de vezes que os instagrammers colocam a tag FOODPORN. Sabe o que significa este termo?

Posso dizer-lhe que, actualmente, há quase tanta gente a ver «pornfood» quanto «pornsex», ou seja, hoje em dia, são quase tantos os interessados em ver comida quanto sexo. E a grande tónica aqui está no ver, em detrimento do fazer.

Entre os dicionários que consultei, o grande tijolo da Websters liga o PORN de pornografia à obscenidade e a representações sem valor artístico, enquanto o Larrousse e o Houaiss, a ligam a formas literárias e de arte obscenas e de luxúria.

Na cozinha, os termos obscenidade e luxúria está ligado à presença de produtos que apelam às necessidades primárias do corpo, logo muito atraentes para o nosso cérebro profundo. Gorduras e hidratos de carbono, alimentos ricos em calorias, que, em excesso, sabemos serem prejudiciais à saúde, mas que fazem babar os nossos sentidos.

O que a pornografia e o foodporn têm em comum são principalmente as suas características ligadas à visão. A pornografia, sexual ou alimentar, é sempre algo que se vê (um filme, um livro, uma imagem), mas não se come (prato ou objecto sexual). Estudos efetuados revelaram que as pessoas fazem em média uma ou duas receitas retiradas de revistas ou ivros

Aliás, é através da visão que nasce o conceito foodporn, originalmente referida como gastroporn referida numa crítica gastronómica a um prato da Nouvelle Cuisine. É este termo que está presente no Collins English Dictionary (online) significando a «representação da comida de um modo altamente sensual.» Foi o movimento da Nouvelle Cuisine que, na década de 1960, recomeçou a dar importância à apresentação visual da comida, nomeadamente da regional, que nunca tinha tido direito a representação estética.  

 

Já o povo, na sua rapioqueira sabedoria, afirmava que «Comemos primeiro com os olhos», o problema é que acabamos por comer apenas com eles. Muito haveria a dizer sobre o sexo a este respeito, mas vamos ficar-nos agora pela comida. Hoje em dia, cozinha-se para a fotografia, para o Instagram, melhor ainda para o vídeo, porque a comida em movimento é bem mais apelativa. A importância do visual sobrepõe-se à do sabor, a emoção da comida centra-se quase exclusivamente no olhar. Detalhes, como a orientação dos elementos em determinado prato, podem fazer toda a diferença no modo como o apreciamos: o seu alinhamento ideal é aquele em que apontam para os 3 a 4 graus para além das 12 h. Assim como faz toda a diferença se comermos a ver televisão ou a ler um livro: a falta de atenção visual à comida torna a refeição incompleta/insatisfatória.

Já lá vai o tempo do José Quitério em que a única foto apensa a uma crítica gastronómica era das instalações do restaurante. Hoje, as descrições gastronómicas (as minhas incluídas) passam por um grande número de imagens de comida. Infelizmente, é frequente que não passem das imagens, resumindo-se a fotos, mais ou menos boas, com a descrição dos elementos que constam das ementas, únicos testemunhos da visita a um restaurante. Por vezes, até se tornam mais populares do que as outras, as clássicas críticas gastronómicas em que os pratos são avaliados e dadas as razões dessa avaliação.

Escrutinada a importância actual do sentido da visão na gastronomia, regressemos às tais imagens classificadas como pornfood por transmitirem a sensualidade ou luxúria da comida, sempre traduzida em elevados níveis de calorias. Devemso interrogar-nos se, tal como a pornografia, a profusão de fotos de comida que colocamos em todas as redes sociais e meios de comunicação nos leva a ter mais fome e a comer mais ou se, pelo contrário, nos sacia. Neste último caso, esta ingestão imaginária poderá contribuir para que possamos prescindir de tanta caloria na nossa ementa diária e levar-nos-á a comer mais saudável. Há estudos que comprovam as duas teorias. Os maiores usuários (onde me incluo) das redes sociais para afixação de fotos de comida, porn ou não porn, devem estar conscientes de que nada do que fazrmos é inocente.

Qual é a sua opinião?

COMER O VERÃO NO FAROL HOTEL

 

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Se ainda não está de férias, mas se o seu corpo já precisa de sentir o incrível apelo do calor e da brisa fresca do mar, se as baterias precisam de ser carregadas, então vá até Cascais, ao Farol Hotel.

Estive lá recentemente, convidada para experimentar a nova ementa do bar da piscina do Farol Hotel em Cascais e gostei. Gostei do ambiente e da magnífica vista de mar. Gostei da leveza e frescura dos pratos, sem nada perderem em sabor.

O chef Hugo Silva já havia estado vários anos à frente da cozinha do Farol Hotel, de onde saíra para o Convento do Espinheiro. Com saudades do mar, resolveu regressar a casa. A primeira carta que fez foi justamente esta do bar da piscina.

 

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Salada de salmão mi-cuit, aipo, maçã e ervilhas com molho de iogurte e cebolinho

 

 

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Corvina marinada, maçã, beterraba, aipo e sorvete de yuzu

 

 

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Tosta de legumes, queijo, chutney de hortelã e coentros com chips de cherovia

 

Provei diversos pratos que aqui partilho, todos eles com a frescura de legumes como o aipo. O peixe cozido em limão ou com um baixo grau de cozedura também se torna mais fresco. Gostei particularmente da salada de salmão e da combinação com as ervilhas, mas para os mais esfomeados recomendo a tosta de legumes (na foto, em tamanho reduzido para prova).

Não deixe de provar as irresistíveis sobremesas (talvez ao lanche??)  preparadas pelo pasteleiro Michael Rocha:

Pela frescura, a fruta laminada com requeijão, frutos secos e mel.

Pela combinação perfeita do chocolate com a banana, o Parfait de chocolate com sorbet de banana.

 

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O chef Hugo Silva e o pasteleiro Michael Rocha

 

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Mediante um pagamento (50 euros pp.) e disponibilidade, pode ainda tomar banho na piscina, deitar-se nas camas e deliciar-se com o Atlântico ali mesmo aos seus pés.

Não perca também os fins de tarde de quarta-feira, em que o bar da piscina se transforma num Bar de Ostras e Camarão.

 

 

 

 

 

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