NA ESCOLA COM JOÃO E A RITA

Foi muito bom estar novamente com o João Antunes e a Rita Caldas, desta feira na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, onde ambos são formadores. Passaram 18 anos sobre o dia em que os conheci, em 2007.Eles eram dois jovens cheios de sonhos que tinham tido a coragem de abrir um restaurante de comida portuguesa com técnicas francesas e roupagens modernas na Amoreira, Monte Estoril. A Rita tomava conta da pequena sala com a sua simpatia natural e o João fazia sair pratos saborosos e lindos da sua mínima cozinha. Depois de os provar não tive qualquer dúvida em incluir o João Antunes no meu primeiro livro: o Grande Livro dos Chefs. Estávamos no início do milénio, e desde a década de 90 que se registavam mudanças na cozinha portuguesa, trazidas pela afirmação dos Chefs de cozinha. Cozinha e ciência unidas, desconstrução e cozinha tecnologia-emocional, desobstrução e arte eram as palavras de ordem. , No anos 90, Miguel Castro e Silva, no Porto, Justa Nobre com o Nobre da Ajuda, Joaquim Figueiredo, na Bica do Sapato, “o cozinheiro excelso”, conforme apelidado por José Quitéria, Sobral, no Clube Bela Vista e no Terreiro do Paço. E José Avillez, Henrique Sá Pessoa e Bertílio Gomes a aparecerem. E os estrangeiros do Algarve e de Lisboa, com as estrelas Michelin: Koerper, Koschina, Wurger e Danler. Estava na moda a arte de empratar . Os Franceses primavam pelas técnicas clássicas impecáveis, pelo amor ao produto nacional e, sobretudo, pelo desenvolvimento de escolas com as suas brigadas de hotel: Aimé Barroyer, no Pestana Palace, Marc Le Ouedec, no Fortaleza do Guincho, Ziebell no Ritz. João Antunes trabalhou com estes 3 últimos incríveis mestres.


O João e a Rita em fotos de O Grande Livro dos Chefs, da minha autoria, editado pela Quimera em 2008
Em O Grande Livro dos Chefs, João Antunes apresenta 3 pratos do Vin Rouge: o foie gras salteado com morangos (símbolo da cultura gastronómica francesa) , os camarões salteados com pasta de abacate e estalados de milho (o bom produto português do mar com uma fusão de novos ingredientes de outras bandas) e uma sobremesa, a trouxa de maçã, mel, canela e nozes. O restaurante mudou de local, passando para o centro de Cascais, onde viria a ser o 100 Maneiras. Esta mudança teve consequências desastrosas, num Cascais que ainda não tinha turismo, levando ao seu encerramento.
A refeição no restaurante pedagógico da Escola de Turismo e Hotelaria do Estoril


Sopa da Pedra

Favas com Chouriço

Bacalhau à Zé do Pipo

Migas á Alentejana

Brisas do Liz e Clarinhas de Fão
A partir daí, não Antunes e a Rita Caldas passam de vez para outra grande paixão da sua vida, a formação. Citando O Grande Livro dos Chefs: João recorda as aulas que teve na Escola de Hotelaria de Lisboa com Joaquim Figueiredo, “que lhe abriu a cabeça. Ele tinha técnicas novas para trabalhar os produtos portugueses. Ensinou-nos a cozinhar os alimentos no vácuo”. Em entrevista dada a David Lopes Ramos Joaquim Figueiredo “desabafava que o seu tempo de monitor nesta escola teria sido um pesadelo: Não há um livro. Em França tínhamos um com 136 receitas que fizemos durante o curso. Aqui há súmulas com 40 anos“. João Antunes quer transmitir aos alunos todo o saber que acumulou na cozinha, da forma mais organizada possível. o entusiasmo é bem visível, na sua voz e na linguagem corporal. O modulo que ensina é de cozinha portuguesa, mas gostaria que esta disciplina tivesse mais horas no currículo, dada a sua importância. Tive a sorte de ser testemunha do seu fantástico trabalho no restaurante pedagógico da escola do Estoril, onde se realizam diversas refeições produzidas pelo alunos ao longo da semana, pequeno-almoço, almoço e jantar. Para mim foi uma incrível viagem no tempo, não só pelo reencontro com o João e a Rita, mas também por voltar à alma mater onde estudei durante um ano, nos anos 90. O magnífico jantar que comi, acompanhado de um perfeito serviço dos alunos de sala, traduz a qualidade do ensino de cozinha do João Antunes e de sala da Rita Caldas, assim como a grande excelência da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Bem estamos precisados de muitos e bons profissionais nesta área. As maiores felicidades ao João e à Rita e a todos os alunos de cozinha e de sal com quem me cruzei, jovens muito promissores.
















Explicada a atração pelo Globus, chegou a altura de expor o outro lado, o de alguma repulsa. Nada do que aqui se tem a ver com a qualidade (que a tem claro), mas com o preço. Por exemplo, só vendem jeans acima dos 700 euros, com uma condição: que tenham a marca bem explícita. O Globus vende a um público que compra por preço e tamanho do rótulos. Não contente com o tamanho de cavalo e cavaleiro do logo, a Burberrys tem agora umas etiquetas gigantes cosidas nas écharpes, como visível na foto. As novas elites compram por estes critérios. E o povo continua a ser empurrado para o consumo desenfreado do muito bararto e sem qualuqer qulaidade ou durabilidade. E dizem-nos que temos de viver num mundo sustentável, muito contentes porque separamos o lixo sem fazer sequer ideia se estamos a fazê-lo bem.