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Conversas à Mesa

No Monte da Eira, estamos sempre à beira (Algarve)

 

A varanda

O Monte da Eira tem uma situação alcandorada numa das saídas de Loulé. Depois de se passar o Paixanito, agora fechado para dar lugar ao mega-restaurante e descaracterizado Paixa, em Vale de Lobo, chega-se a uma aldeia com o evocativo nome de Clareanes. Foi lá que jantei anteontem.

Casa muito agradável, com muitos lugares para os carros, agradáveis ambientes interiores e um bom pátio com vista para a serra. Ficámos fora, que a noite estava muito agradável para o  casaquinho de malha indissociável das boas noites algarvias sem vento. Convém levar repelente de melgas, porque costuma haver sempre destes incómodos voadores. Dentro há duas agradáveis casas de jantar.


Uma das casas de jantar interiores 



Fomos saudados e sentados pelo dono, que apenas voltámos a ver quase no fim da refeição. A casa estava completamente cheia (só servem jantares no Verão e convém reservar) e ele andava lá por dentro, pelo que fomos servidos por 2 senhoras: uma russa, tipo general Dourakine, da Condessa de Ségur, ou seja, rude mas bondosa, e uma algarvia. Apesar da simpatia natural das duas senhoras, o serviço é bastante fraco, com empilhamento de pratos à mesa e ausência de informação, por exemplo em relação a vinhos ou aos acompanhamentos. Ora aqui se começo a explicar o título: o Monte da Eira está à beira de ter um serviço não só simpático como eficiente, essencial neste tipo de restaurante regional. Mas fica à beira, por falta de um pequeno passo apenas, que, bem dirigidas, as duas senhoras seriam capazes de dar.


As ervilhas com ovos

 A canja de amêijoas

 

Passemos agora às comidinhas. Para começar, peixinhos da horta, que reuniram as três coisas fundamentais: bom ponto de cozedura do feijão-verde, bom polme e fritura seca. Depois, ervilhas com ovos escalfados, servidas em tachinho. Ervilha boa, embora já não fosse de época, e ovo um pouco cozido demais para o meu gosto pessoal. Provei ainda a canja de amêijoas, onde nadava bom material marinho. Em seguida veio o coelho na caçarola com ameixas secas e cebolinhas, o melhor prato do jantar. Talvez fosse o estufado ou então a presença das ameixas secas, mas trouxe até mim uma evocação berbere. 


Coelho na caçarola com cebolinhas e ameixas


As bochechas


 

As bochechas de porco estavam como deve ser, embora, tal como o coelho, um pouco avinhadas, dando ideia que a evaporação do álcool não tivesse sido completada.  E agora lá vem o tal passo que era preciso dar para que o Monte da Eira deixasse de estar à beira de ter uma cozinha regional de referência: os acompanhamentos. Servir o coelho e as bochechas com arroz branco e com arroz selvagem é pobre, muito pobre. Há que divulgar os produtos algarvios, como a batata-doce de Aljezur, que tão bem casam com os pratos de inspiração local. 



 

A mousse de alfarroba



PS: peço desculpa pela fraca qualidade das fotos.

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