Vidago Palace ou o esplendor borbulhante

A palavra palace sempre me impressionou. Na minha cabeça ecoam de imediato enormes vestíbulos, com empregados que deslizam sem barulho, e mulheres de caudas roçagantes descendo escadarias duplas, casas de jantar com serviço de guéridon, e camas com bas de lit. O Vidago Palace faz jus ao seu nome através de um ambiente borbulhante que começa nas termas, passa pelo spa da Clarins e finalmente se deixa apreciar nas famosas águas de Vidago que se bebem com muito prazer.
Inaugurado na véspera da implantação da República, o hotel destinava-se à fidalguia europeia da época que, além das termas, podia usufruir de um campo de golfe e de todos os luxos que o tornaram um dos mais brilhantes da Europa da Belle Époque.
Comprado recentemente pela Unicer, foi virado do avesso. Siza Vieira projectou o novo Spa de decoração minimalista e alva. O resto do hotel está todo em versão “luxo confortável intemporal”. Este ano, o Independent considerou-o um dos seis melhores hotéis com spa.

O convite que me foi feito para conhecer o Palace remodelado tinha uma outra mais-valia: um jantar preparado pelo Vincent Farges, do Fortaleza do Guincho, a ter lugar na deslumbrante casa de jantar do hotel, o antigo salão de dança, em cujo contornante varandim costumava tocar uma orquestra em jeito de acompanhamento ao longo de toda a Belle Époque.
Ravioli de lavagante em caldo emulsionado com aipo crocante
Do jantar, cujo menu reproduzo a seguir, destaco a fabulosa “Galinha de Bresse com foie gras de pato em geleia fina, tartine de funcho e rabanete”. Uma combinação fresca, com o anisado do funcho e o picante do rabanete, e esteticamente feliz. A tartine não era demasiado “briochée” e tinha a textura certa para combinar com os paralelepípedos de galinha e de foie.
A galinha de bresse com foie gras
A tartine
Como sou grande apreciadora de águas - raramente tomo vinho ou outras bebidas alcoólicas - acompanhei a refeição com a água de Vidago. Esta, embora seja rica em ferro, tem como principal característica o ser bicarbonatada, ideal para acompanhar alimentos muito ricos em proteínas, que compensa com o seu valor digestivo. É uma água leve, com teor de gás médio e muito agradável.
Como anfitrião recebeu-nos também Rui Paula, do DOP e DOC do Porto, consultor do restaurante do hotel. Deixo-lhe aqui um desafio: fazer um jantar no Palace acompanhado por águas e em que as águas fossem também incluídas na preparação dos pratos, tirando partido das diversas fontes das termas.
Lombo de porco de raça alentejana assado, refogado de espargos e girolles
Crosta de coco e ananás marinado com lima e geleia de frutos tropicais. Gelado de coco-lima