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Conversas à Mesa

Dos Prazeres à Graça, a bordo do 28


 

 

Mulher ao volante do freio, ou seja, guarda-freio.


Meu Norte, meu Sul, meu Leste e meu Oeste, fusão de pontos cardeais no Martim Moniz.



 

 



Este é o primeiro de uma série de passeios que vos vou propôr para os bons dias de sol que se hão-de avizinhar. 

 

 

 

 

Caril tailandês vegetariano com seitan do Leader Yu, Martim Moniz

 

 


Dos Prazeres à Graça a bordo do 28, exactamente por esta ordem. Garanto-vos que é uma viagem, como aliás se anuncia no bilhete de 2€85. Uma viagem com partida e chegada e no ínterim uma evasão que nos remete para outro tempo e para outro espaço. Nos remete a quem não a faz habitualmente, como é ainda o caso da maioria dos utentes desta carreira.

Há muito tempo que não andava de amarelo e já tinha esquecido aquele gingar de feira quando as curvas são mais apertadas, a magia do PARAR a piscar, o barulho da campainha meio rouca, a ginástica sueca nas argolas e o modo como somos sacudidos pelo barulho dos carris.

Para começar, um toque de modernidade. Neste link, é possível saber de antemão os horários do “elétrico 28” (agora o 28 E, e sim, escrito já com o acordo, que estranheza). Eu apanhei o das 13 h 18 nos Prazeres, mesmo em frente ao cemitério. Enquanto se espera na paragem, dá para olhar o belíssimo pórtico de Domingos Parente da Silva, o arquitecto que desenhou os Paços do Concelho de Lisboa. Depois é entrar e deixar-se embalar no sobe e desce das Colinas lisbonenses.  Ficam aqui as fotos de alguns pontos que gostei mais de ver, mas o itinerário completo, muito bem esmiuçado, pode encontrar aqui. Infelizmente o bilhete não dá direito a sair e entrar como nos autocarros turísticos.


 

 Curva à esquerda e passagem pela Sé.

 




O bonito edifício da Voz do Operário, cujo nascimento está ligado aos operários da indústria tabaqueira.




 

Uma lindíssima fachada Art Nouveau




Na Almirante Reis, uma jóia em ferro




O meu conselho, é que saia no fim da linha, o Martim Moniz, e que almoce numa das barraquinhas do Mercado de Fusão. Ali mesmo na praça passava a muralha fernandina e ainda pode ser vista a Torre do Jogo da Pela, para ali abandonada no meio de um novo condomínio. Desta muralha, diz Norberto Araújo: “D. Fernando, tenho-o dito mil vezes, fez a segunda cerca de Lisboa, alargando em defesas a cidade que por si se expandira, até ao limite de uma linha muralhada que, anos depois, já ficava aquém da grande Póvoa de Lisboa”). Ao que parece, haveria no Martim Moniz mais dois cubelos destes, os dois já destruídos, um deles no fim do século XVII.

Mas o que nos interessa agora é almoçar. Para isso, dirija-se às barraquinhas que no centro da praça se espalham de um lado e do outro, muito bem arrumadas e com um bom aspecto raro de encontrar na cidade. Uma é de comida brasileira, outra (A da Preta) de comida africana, mas eu dirigi-me à penúltima do lado direito, para quem está de costas para o rio, enfeitada com balões chineses. E digo-vos, comi muito bem. A atender-me estava o Leader Yu, nascido na Bolívia de pais emigrados de Taiwan, que se propôs cozinhar-me um caril verde vegetariano, à maneira tailandesa, com seitan. Tudo é feito ali à nossa vista pelo Leader, na hora. Erva-príncipe (ou lemmon grass, ou capim-limão), o cardamomo e as folhas de lima keffir estão entre os ingredientes. Para terminar, Leader espremeu uma lima e ralou coco e o prato ficou com um aroma exótico e apetitoso. Conto deslocar-me lá de propósito para poder repetir e repetir este prato, que dá 10 a 0 a muitas refeições de restaurante caro, por 5 € 70.



A barraca BBQMM






 

 Aqui nasceu o meu caril tailandês feito por Leader Yu, o boliviano de origem taiwanesa.






A visita ao centro comercial é de passar, a menos que precisem de comprar alguma coisa na mercearia indiana. O resto é só trapos chineses. Eu fui lá comprar jardalu, o chamado Hunza Apricot, para fazer um doce que me ensinou uma prima.




O tesouro escondido.



 

 

Para chegar ao tesouro da azulejaria passa-se neste pátio com poço.




 

 A porta ao lado do tesouro é a da entrada para a esquadra da Polícia.


O que vale mesmo a pena é sair pelas traseiras do Centro Comercial para a R. da Mouraria e entrar na porta ao lado à da esquadra da polícia. Depois de passar um  pátio com poço e árvore, entre no antigo edifício do Colégio dos Meninos Órfãos (século XIII) e suba quatro ou cinco andares da escadaria. Antigamente, existia uma saída por cima, agora fechada, o que lhe dá duas oportunidades de apreciar o verdadeiro tesouro de azulejaria do século XVII que ali se encontra em estado completamente intacto. Os patamares de baixo têm cenas do Antigo Testamento e os de cima do Novo Testamento, num total de 16 gigantescos painéis. Custa a acreditar que um tal tesouro possa existir ali. Não percam, quanto mais não seja pela estranheza, pelo ambiente de irrealidade que se respira escadaria acima e abaixo. Nos vários andares, abriga-se um centro da terceira idade.

Depois, é apanhar novamente o 28 e fazer a viagem de regresso aos Prazeres, desta feita já em estado de Graça.

 

Quiosque do Leader, onde comi o caril tailandês: BBQMM, Mercado Fusão - Martim Moniz



 

 


 


Pormenores do Martim Moniz

 

 

 

 

 

 

 

 

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