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Conversas à Mesa

A CERIMÓNIA

 

Cada vez compreendemos melhor que o valor das coisas está também no valor que lhes atribuímos. Cada vez mais os produtos são valorizados pelas histórias que contam, pelos processos que os tornaram o que são. E que se não formos os primeiros a valorizar aquilo que temos, ou até aquilo que somos, a mensagem nunca passará para fora.

Ontem ao fim da tarde assisti a uma emocionante prova do que acabei de dizer: uma cerimónia em torno do Go En, um chá verde produzido pelo casal Morimoto, na prefeitura de Miyazaki, no Japão, e trazido para a Europa por uma equipa de duas empresas, uma alemã, a Marimo, e outra portuguesa, a Camélia. A cerimónia do chá no Japão é algo de muito complexo, envolvendo roupa, flores e refeição especiais. Porém, o que qualquer cerimónia verdadeiramente afirma é a valorização do que está no seu centro, no caso vertente o chá verde. Cada cerimónia é única e irrepetível e é desta forma que deve ser aproveitada. Para reforçar essa ideia, os japoneses fazem-na, por vezes, no meio do campo, numa cabana de feno construída na altura para esse propósito e que, ao desfazer-se com o tempo, se torna prova irrefutável do carácter único de cada cerimónia.

 

 

 

 

 

Ontem à tarde, a degustação do chá verde Go En proporcionada pela Nina em representação da sua empresa Camélia, foi uma experiência que envolveu vários sentidos, nomeadamente o ouvido. Marimo Beats, no contrabaixo, e Dirk Bohmer, no saxofone, interpretaram o som da agitação da água que aquece para o chá e deram-nos sons maravilhosos que nos tornaram mais receptivos para apreciar esta bebida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mundo do chá é muito rico e complexo, um pouco semelhante ao nosso mundo do vinho ou ainda ao do café. O que mais se valoriza no chá verde é também a complexidade dos sabores ou o modo como estes se prolonga na boca. A terminologia usada até é semelhante.

 

 

 

 

 

 

 

 

Há chás que se fazem com água quente (nunca a ferver, para não destruir sabores, nunca a mais de 80ºC) e outros por infusão em água fria. O Mizudashi, o chá frio, é um deles, e o seu sabor refrescante é ideal para o Verão. Tal como o café, só se faz na quantidade que vai ser bebida no momento, repetindo-se todo o processo de início quando se pretende uma segunda dose.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para fazer qualquer chá, a água deve ser o mais neutra de sabor possível, pelo que é aconselhável usar uma boa água mineral. No caso do Go En, a temperatura da água deve rondar os 60ºC, pelo que as tigelas onde vai ser bebido o chá precisam de ser pré-aquecidas com água quente. Um bom chá não deve ter contacto com nenhum elemento metálico, pelo que é valorizado o facto de a apanha não ser feita com maquinaria metálica, mas sim com uma máquina artesanal com um tambor de bambu. O GO En, cujo nome tem a ver com “coincidências” é muito semelhante ao Gyokuro, o mais nobre dos chás, uma vez que só é feito com as folhas jovens da primeira colheita que cresceram à sombra e que são muito ricas em teína, a cafeína do chá.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Verdadeiramente, não percebo nada de chás, verdes, brancos, pretos, verdes ou até amarelos. O meu mundo recente tem sido o dos cafés. Mas fiquei fascinada com a ideia da cerimónia e apaixonada pelo sabor umami dos chás verdes. Parabéns à Camélia, pela iniciativa de ter trazido estes chás do Japão e sobretudo pela coragem que mostra em cultivar chá verde em pleno Douro. Como disse a Nina, afinal todos os chás são Chamelia sinensis, e que bem que são as camélias no Douro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Contactos da Camélia

Telef: 222 430 075/931 740 803

camelia@chacamelia.com

www.chacamelia.com

 

 

 A primeira foto e a última são retiradas do FB da Nina. Obrigada. Fica aqui o link para o filme da colheita do chá nos Morimoto: http://vimeo.com/64986624

 

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