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Conversas à Mesa

AS MINHAS DEPRIMÊNCIAS DO NATAL

 

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O meu Natal é uma mistura de tradições, bem patentes nos três símbolos que convivem sobre a lareira: o presépio em pau preto de artesanato angolano, onde nasci e vivi,  comprado na feira do km17, as árvores nevadas e brancas da clássica história que começou com o Saint Nicholas e foi evoluindo nos EUA para o pai Natal, tendo tomado a sua forma atual na década de 1930 com o anúncio da Coca-Cola, e o Pai Natal Tropical, de chinela de dedo, calções e camisa havaiana, que me transporta aos natais na praia e aos mergulhos da meia noite do barco no Mussulo.

 

 

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Hoje o Natal tropical é apenas uma saudade. Aqui em Portugal há algumas coisas que me deprimem e que são alvo das minhas embirrações. Aqui vão, no meu melhor espírito Grinch.

  • O bolo-rei. Talvez a tradição já com mais de 100 anos que não conseguimos abandonar, mas de que raramente se gosta. Compra-se porque é obrigatório, enfeita a mesa e dá boas torradas com manteiga no dia seguinte (qualquer coisa torrada com manteiga é boa). Depois tirámos-lhe a prenda e fava, as únicas graças que ele tinha, e ainda ficou mais detestável. Tanto que se detesta que se começarem a fazer pseudo bolos-reis - para termos a ideia que continuamos a comê-lo -, mas que nada têm a ver com o original. Tirámos-lhe as frutas cristalizadas, esse método antigo de conservação da fruta, e fizemos o bolo-rainha, com muitas nozes e amêndoas, mas com a mesma massa seca. Não serviu. Demos-lhe outra forma, entrançada, e fizemos o escangalhado. Introduzimos toda a sorte de cremes, desde chocolate a doce de ovos, passando por pistácio. Já está quase irreconhecível. Só falta deixaram de lhe chamar bolo-rei. Vamos a isso rapazes.
  • O Natal que começa em outubro. Cada vez se enfeitam as ruas e os espaços públicos mais cedo. Quando chega dezembro já ninguém pode ver luzes, renas, estrelas e pais-natal. Temo que, cedendo á sabedoria popular que diz que em Agosto é quase natal, ainda se comecem a enfeitar as praias e se vistam os salva-vidas de Pai-Natal.
  • As cerejas. Não, não e não. Quem é que tem vontade de comer cerejas no Natal? Já não falo no preço astronómico ou na pegada de carbono de as trazer do Chile. O típico de natal é o ananás dos Açores, porque é ácido e contraria a doçaria. A quem podem apetecer cerejas no Natal?
  • A perna de peru. Em vez de um peru inteiro assado, uma ave linda para a mesa natalina, faz-se uma perna de peru. É deprimente. Hoje em dia, o peru é comida de todos os dias, bifinhos de peru é comida de tasco e de crianças, não de Natal Sei que as famílias são cada vez mais pequenas, mas uma perna de peru não substitui um peru assado inteiro que ainda conserva alguma dignidade de festa. nem é comida de Natal. É um substituto deprimente.
  • Que me desejem um Santo Natal. A Páscoa é Santa é de quaresma jejueira, mas o Natal é de alegria e de comidas, que havia de queimar os últimos cartuchos antes do inverno de poucos recursos alimentares. Santo Natal não que eu quero pecar com as lampreias de ovos (este tema também me puxa pela língua), os bacaslhaus bem regados de azeite, os perus assados, as rabanadas e as broas.

Hoje não dou mais dicas de Grinch. Desejo-vos a todos um Feliz Natal, com uma boa ceia e muita alegria.

 

A imagem do pai Natal na praia foi criada pela IA

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