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Conversas à Mesa

COMO CORRE O TEMPO EM TORRE DE PALMA

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Da minha cama super confortável no quarto cor de laranja, vejo a varanda e oiço os passarinhos chirparem enquanto fazem voos rasantes à tangerineira envasada. Estou no hotel Torre de Palma, em Monforte, convidada para um jantar a quatro mãos que junta Filipe Ramalho, o chef residente do hotel, e Leopoldo Garcia Calhau, do Café Garrett (Teatro Nacional D. Maria).

Há que levantar cedo e deixar o conforto do quarto, porque este sábado começa cedo, com uma ida ao mercado de Estremoz.

Esta praça bem viva divide-se por 4 alas bem definidas que reúnem em bricabraque espacialmente organizado as galinhas e os coelhos para criação, os passarinheiros, as velharias, alguns produtores locais de fruta e legumes e a habitual desbunda dos legumes e frutas normalizados.

Os dois chefs compram túberas e espargos verdes para o jantar e, mais adiante, favas e ervilhas em vagem. Por fim as silarcas, também conhecidas por tortulhos, e cientificamente por Amanita ponderosa. São uns cogumelos esbranquiçados e robustos, envolvidos numa película que cede quando eles saem da terra, deixando aparecer o chapéu.

Na véspera, os chefs tinham morto e sangrado um borrego destinado ao evento. Após a ida ao Mercado, podemos assistir ao corte desse borrego: uma parte para o forno a lenha, para o jantar, outra para o ensopado destinado ao nosso almoço e feito sobre lenha, ao ar livre, numa tigela de barro vidrado. Num outro fogo de lenha, os dois chefs fizeram também sopa e arroz de bacalhau, envolvendo os hóspedes na preparação do almoço e no tempero do borrego para o evento da noite. Enquanto isso, as mesas ao ar livre cobriam-se de enchidos da D. Vitória, com fumeiro no Cano, muito perto dali.

Porém, o que parece fazer feliz a maioria dos hóspedes é o ritmo lento com que todas as actividades se desenrolam, moldando um tempo «alentejano» em que tudo tem o seu ritmo, e em que mais importante do que estar feito é mesmo fazer.

Ninguém marcou horas para o almoço, iremos para a mesa quando o arroz achar que é hora de abrir e o borrego apresentar a cor ideal. A provar que o tempo não pode ser apressado, estão os aromas da sopa, do arroz de bacalhau e do borrego, capazes de acordar os romanos que ali mesmo ao lado viveram do século I ao século V. O luxo da Torre de Palma é o tempo, que nunca sentimos perdido ou desperdiçado.

 

 

 

 

 

 

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A varanda do quarto

 

 

O mercado de Estremoz

 

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Filipe Ramalho, o chef do Torre de Palma, e Leopoldo Garcia Calhau, Café Garrett, no mercado de Estremoz.

 

 

IMG_7207.JPGVários tipos de tratamento de azeitonas

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Molhos de temperos 

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Espargos silvestres e túberas

 

 

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 O aloé vera de rosto humano

 

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Silarcas

 

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Passarinheiros

 

O almoço ao ar livre no hotel Torre de Palma

 

 

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A panela da sopa

 

 

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Ao trabalho

 

 

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 A sopa de feijão

 

 

 

 

 

 

 

 

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