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Conversas à Mesa

EDGARDO COM OS AZEITES

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Levou o seu tempo a ser considerado uma gordura nobre e saudável. Quem ajudou nesta tarefa de nobilitação do azeite foi, curiosamente, um fisiologista norte-americano, Angel Keyes. Depois de ter relacionado doenças cardiovasculares e colesterol, estudou a alimentação em Nápoles, onde encontrou um grande número de pessoas com mais de 100 anos. Depois de ter investigado a alimentação em vários países da bacia mediterrânica, Keyes concluiu que a «dieta mediterrânica» era a forma de alimentação mais saudável por excluir o consumo de gorduras saturadas. Não tardou a que a American Heart Association as condenasse. Assim nasceu a diabolização da manteiga e da banha, o negócio das margarinas e finalmente a valorização do azeite.

Por cá consumia-se azeite, mas do mau. Ainda me lembro do terror da minha mãe nos anos 60 quando alguém nos trazia azeite da terra. O garrafão era oferecido como se fosse um tesouro e incansavelmente gabado. Tratava-se geralmente do lampante, obtido a quente de azeitonas que já tinham apodrecido enquanto esperavam a sua vez na fila do lagar, e sabia às ceiras.

Hoje o azeite segue o exemplo do vinho. Começamos a distinguir os monocastas e os blends; a perceber que a azeitona tem variedades e a identificar os respectivos sabores; a procurar os azeites DOP das nossas várias regiões; a perceber que a acidez não modifica o sabor. E, sobretudo, a aprender a colocar mais-valia em cada garrafa de azeite. Infelizmente, o azeite português ainda continua ausente da maioria dos mercados internacionais, onde continuam a imperar os espanhóis, os gregos e os italianos, quantas vezes de qualidade tão inferior aos nossos.

Tudo isto e muito mais vem explicado na tão esperada publicação de Edgardo Pacheco, Os 100 melhores azeites de Portugal Ed. Lua de Papel). Neste livro, que se espera venha ser um guia anual (faz todo o sentido, uma vez que refere os melhores azeites do ano), o conhecido, sabedor e muito amado jornalista do Correio da Manhã jornal e TV conta-nos histórias e ajuda-nos a perceber os melhores casamentos entre os azeites e as comidas.

É um livro que nos vai fazer perceber como afinal sabemos tão pouco de azeite. Mas também vai por fim a essa lacuna de uma forma sempre sabedora mas também agradável e leve.

Fico muito feliz por Edgardo Pacheco finalmente partilhar connosco todo o seu saber e logo através de um tema tão interessante e candente.

A completar o livro, 25 receitas de chefs portugueses, em que o azeite faz toda a diferença, e as magníficas fotografias de Jorge Simão.

 

Obrigada Edgardo

 

 

 

(Sobre azeite, veja também aqui no blog )

 

 

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