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Conversas à Mesa

O LOBO MAU, LOBO MAU, LOBO MAU

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Hugo Guerra é o chef e proprietário do restaurante Lobo Mau, explica ele porque era o nome pelo qual era conhecido entre os amigos na juventude. Não perguntei porquê, mas ele tem ar de quem sabe bem cozinhar os três porquinhos.

O Hugo é um calmeirão dotado dos habituais atavios dos atuais cozinheiros, a saber, muita tatuagem, cabelo com corte à chef, barba. Mas tem uma coisa que nem sempre é vulgar: tem cultura da área, sabe conversar e sabe do que está a falar, e isso reflete-se na comida que nos apresenta. Mas já lá vamos.

O espaço do Lobo Mau é interessante, não é aquela tela branca minimalista muito igual, nem aquele bricabraque de objetos da Feira da ladra ou da arrecadação da avó, nem todo verde tipo selva amazónica plastificada. Tem alguns objetos antigos de grande dimensão bem colocados e reutilizados, como as malas de porão transformadas em estantes. E alguns verdes. E a tranquilidade dos espaços minimalistas. Muito agradável.

Voltemos então aos comes e bebes. Bons produtos, base portuguesa com tendências atuais, eu sei que disso há muito. Mas aqui há combinações com sendo e, sobretudo, muita mão na cozinha, o que se traduz em resultados muito saborosos.

Das  entradas, experimentei os brioches de camarão com contrapartes vegetais que não lhe tiravam o sabor. Parece-me mais um almoço e um bom almoço. Ah, já me esquecia, gostei imenso de uma manteiga de anchovas que veio com o pão. Muito bem feitos, os pastéis de massa tenra com um recheio inesperado de peixe, que nos remete para a pergunta: por que razão não se fazem? uma ideia genial. só precisavam de um bocadinho mais de ar e menos aperto. os pastéis de massa tenra têm de ter ar .

Depois, comi corvina com feijão-branco, em puré e em si mesmo, com espinafres. Bom peixe, a corvina, já foi desprestigiado e hoje felizmente é de valor reconhecido. Uma combinação original e muito bem conseguida, com a terra do feijão a fazer sobressair o mar do peixe.

À hora da sobremesa, não há que hesitar. Embora tenha provado, só provado, a Pera bêbeda, mousse de café e crumble de amêndoa, a Rabanada com caramelo salgado e framboesas é imprescindível. Feita com brioche, tipo french toast, complementada pelo caramelo rico e cremoso, doçura mitigada pela acidez das framboesas.

Acompanhei a refeição com um branco transmontano, o Mabitxo, uma boa aposta transversal a todos os pratos.

Se não conhece, vá experimentar, caso ou assim que possa. Vá por mim.

 

 

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Manteiga de anchovas

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Pastéis de massa tenra de peixe


 

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Hot dogs de camarão

IMG_8544.jpgCorvina com texturas de feijão branco e espinafres

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Pera bêbeda, mousse de café e crumble de amêndoa

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LOBO MAU

Rua Pascoal de Melo 71 A

1000-232 LISBOA

Tel: 911 081 498

https//www.lobomaurestaurante.com