Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Conversas à Mesa

O LUXO DO GLOBUS

IMG_6011.jpeg

 

 

Hoje o post é uma reflexão sobre o luxo, sendo que neste momemto o luxo é para mim a liberdade de fazer a gestão do meu tempo a meu bel-prazer, e não tem qualuqer relação conm consumo. Numa época em que a palavra chave é sustentabilidade, é de rigor reduzir ao máximo o consumo, com todas as conseqências que isso possa ter na economia.  A reflexão sobre o luxo foi-me suscitada por uma visita ao Globus,  um armazém (department store) fundado em 1907 por uma companhia Suíça mas recentemente vendido a companhia tailandesa. Só há 7 na Suíça e um deles situa-se em Basileia, onde passei férias na semana passada. Como estiveram mais de dois anos em obras estava com curiosidade de ver as novas instalações, que ficaram um primor. O Globus gera em mim sentimentos contraditórios. Por um lado, uma atracção básica pela organização das formas e das cores. Imagine-se toda a secção de comida fosse organizada pela Mary Kondo, este seria o efeito. Cada secção é um verdadeiro museu.

IMG_6026.jpg

 

 

 

IMG_6037.jpg

 


 

 

IMG_6019.jpg

As conversas de marca portuguesa José estavam em alta. Mas azeite e vinhos portugueses não havia.

IMG_6020.jpg

IMG_6021.jpg

O talho com o preço por 100 g.

 

Logo à entrada do andar   do supermercado está o habitual display de panettone desta época. Creio que ninguém os compra para comer, mas porque as cores e os desenhos gráficos das embalagens nos atraem sem apelo nem agravo. Ninguém compra um, trazem-se muitos e faz-se uma instalação em casa. Os queijos têm sala própria forrada a estreitas vitrines que ostentam um pedaço de cada espécie, círculos e bicos a cruzarem-se desenhado formas artísticas. Os preços de todos os produtos, queijos, enchidos, carne e peixe, são dados em 100 g, mas a mim parecem-me o preço do quilo.

 

 

 

IMG_6026.jpg

 

IMG_6023.jpg

Os frescos estão a recato numa câmara frigorífica toda em vidro, onde se entra por porta de correr automática. Arrumados por cores, parecem naturezas mortas, sendo constantemente borrifados por gotículas de água.

 

 

A  secção do champanhe, junto a montra do caviar e com bar próprio para consumo no local, é de uma beleza comovente. Não tive sequer coragem de ler os preços.

IMG_6013.jpg

IMG_6017.jpeg

Junto ao champanhe, o bar de caviar. 

 

Noutro andar, a secção de roupa continua no mesmo espírito: um ou dois artigos de cada variedade, tudo em tamanho 32 ou 34, nada de roupa para os gordos nem sequer para os menos magros.

 

A secção de ménage (adoro esta palavra) só exibe obras de arte de marcas conhecidas, como as torradeiras Smeg desenhadas por Dolce e Gabanna que custam perto dos 800 euros. Ou as máquinas de café Bialetti com motivos de Natal.

 

IMG_6030.jpg

IMG_6031.jpg

IMG_6035.jpg

Os livros são peças de exposição e não para leitura, em versão  XXXXL

 

 

IMG_6037.jpg

O desmesurado tamaho dos logos da Burberrys nos cachecóis, com preços a partir dos 500 euros, 

IMG_6035.jpgExplicada a atração pelo Globus, chegou a altura de expor o outro lado, o de alguma repulsa. Nada do que aqui se tem a ver com a qualidade (que a tem claro), mas com o preço. Por exemplo, só vendem jeans acima dos 700 euros, com uma condição: que tenham a marca bem explícita. O Globus vende a um público que compra por preço e tamanho do rótulos. Não contente com o tamanho de cavalo e cavaleiro do logo, a Burberrys tem agora umas etiquetas gigantes cosidas nas écharpes, como visível na foto. As novas elites compram por estes critérios. E o povo continua a ser empurrado para o consumo desenfreado do muito bararto e sem qualuqer qulaidade ou durabilidade. E dizem-nos que temos de viver num mundo sustentável, muito contentes porque separamos o lixo sem fazer sequer ideia se estamos a fazê-lo bem.