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Conversas à Mesa

PÃO À MESA

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O nome Pão à Mesa veio-lhe de uma época anterior em que se pretendia servir pratos da cozinha portuguesa com a presença do pão, que os há tantos e tão bons. Um dos meus preferido, acima de migas e açordas é toda a classe de sopas secas, que se podem fazer expressamente ou para aproveitar sobras. E a propósito de sobras, há tantos pratos de sobras que são melhores do que aqueles dos quais sobraram (estou a pensar na sopa seca de cozido e nas roupas velhas). Mas agora isso não vem à cena e tenho de retomar o fio à meada para dizer que o nome continua a fazer sentido no sentido em que o pão é um belo representante da cozinha portuguesa. E é cozinha portuguesa com muita técnica por trás que faz o chef deste restaurante, o José Lopes.

Fui convidada para jantar neste restaurante situado no segundo coração gastronómico de Lisboa, o Príncipe Real (o que significa um príncipe real? Há príncipes que não são reais?) e saí de lá feliz com a maior parte dos pratos que comi.

Para fazer jus ao nome da casa, um bom pão de trigo e uma boa broa de milho. Faz sempre falta, para além do azeite e das versões fantasia, que venha uma boa manteiga à mesa.

Gostei da primeira entrada que consistiu em quadradinhos de choco de textura perfeita que vêm à mesa num espeto e que aqui são flamejadas. A acompanhar, um puré com tinta de choco (um ratio demasiado desfavorável para o choco) e pão torrado, que não supria cabalmente a necessidade de algo mais estaladiço. Depois, o melhor prato da refeição: puré de abóbora assada com porco e castanhas. Cada elemento tinha sido alvo de várias técnicas e processos até chegar à mesa e o trabalho tinha mesmo valido a pena: o pernil de porco estava bem temperado e de consistência perfeita, as castanhas, memoráveis. Só um reparo: esta entrada é para ser comida à colher de uma tigela e não de garfo e faca, mas há que desfiar mais o porco. De certeza que pedirei sempre este prato quando voltar ao Pão à mesa. O peixe do dia com xerém e berbigão também estava bem, com o pampo fresquíssimo. Muito agradável.

A fechar, um pudim abade de priscos que não está bem conseguido e que acompanha com os já clássicos cítricos, uma vez que hoje se acha o pudim demasiado doce. Eu gosto dele bem feito e per se.

Uma refeição muito agradável em que se nota positivamente o esforço feito num bom conjunto de técnicas e de bons ingredientes que, conjugados, produzem um bom resultado final.

 

 

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 O chef José Lopes lança fogo ao choco.

 

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