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Conversas à Mesa

SÃO TOMÉ: O NORTE NO LEVE LEVE 1

rapariga andala

 

 

 

O segundo foi dia de sair da cidade pela primeira vez, em jeep alugado e com motorista e guia, o Jô. Rumámos a Norte, para conhecer as comunidades piscatórias, como Neves, e visitar a maior de todas as roças, Rio do Ouro, baptizada Agostinho Neto quando da visita do presidente angolano. As roças seguiam vários modelos de desenho, sobretudo em função do seu tamanho. As maiores tinham hospital, sempre situado no local mais elevado e sanitário, escola, igreja, casas do proprietário, em local mais resguardado, e dos funcionários mais diferenciados, escola, oficinas, fábricas e casas dos serviçais. A seguir à independência do arquipélago, as instalações foram ocupadas para habitação e as roças deixaram de ter um funcionamento orgânico. Quando hoje se visitam, o que mais confusão faz é esta inversão de funcionalidades. O hospital está transformado em habitação, a zona das casas dos serviçais perderam os espaços de respiração e viraram favela. Tudo está a cair aos pedaços, sem qualquer saneamento. Embora igualmente pobres, as povoações têm uma lógica de funcionamento que aqui está em falta. Em geral, só a igreja não foi ocupada para habitação e, mesmo que não esteja a funcionar, mantém-se fechada. Em São Tomé, persiste a visita das roças, poucas são as restauradas, estando a maioria delas sem qualquer possibilidade de recuperação, mas a lógica deste aproveitamento turístico parece-me perversa. Uma eventual apreciação estética do traçado original torna-se difícil, uma vez que grande parte dos edifícios estão em completa ruína. Na Rio do Ouro, apenas se adivinha o que já foi a beleza do corpo central do hospital, que hoje, apesar de habitado, serve de miradouro aos turistas.

 

 

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A roça Rio do Ouro tinha dois hospitais, construídos com um intervalo de 30 anos. Este era o mais recente.

 

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A Igreja e a casa do proprietário (Marquês de Valle Flor), impecáveis

 

 

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O mood

 

 

 

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A vista do hospital

 

 

A nossa primeira paragem foi numa barraca de compra de cacau. Ali os pequenos produtores, mais precisamente, pequenos recolectores de cacau silvestre, vêm vender a sua micro colheita. O que eles trazem é a polpa fresca do cacau, que será guardada em grandes barris plásticos depois de devidamente pesada.

 

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Seguidamente, não resistimos a uma paragem para ver fazer uma feijoada à Moda da Terra. Em frente de um grande estaleiro de obras, no meio de nenhures, as mulheres estão a cozinhar numa cantina improvisada, para vender refeições aos trabalhadores. A um refogado de feijão catarino, junta-se o peixe seco, sendo o arroz branco cozinhado à parte, tudo em tachos bem areados. As cozinheiras abancaram ali por volta das seis, sete da manhã e ali ficaram a vigiar o lume do carvão, que vai apurando os aromas até ser meio dia.

 

 

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A tábua e a pedra vulcânica (trouxe uma apanhada na praia) para esmagar as especiarias e ervas

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Já estão os tachos ao lume: num o arroz, noutro o feijão

 

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Os pratos para vender a feijoada aos trabalhadores do estaleiro, todos bem alinhados e limpos

 

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A Feijoada

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E um peixinho

 

 

 

 

 

 

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